Comissão conclui que ditadura matou Juscelino Kubitschek e recomenda mudança em certidão de óbito
- Marcus Modesto
- há 47 minutos
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A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar brasileira. A decisão, aprovada por seis votos favoráveis e uma abstenção, representa uma reviravolta em uma das histórias mais controversas do período autoritário.
O relatório aprovado nesta sexta-feira (29) afirma que JK não morreu em um acidente de trânsito, como sustentaram durante décadas as versões oficiais. Para a comissão, a morte do ex-presidente foi resultado da ação do Estado brasileiro no contexto da perseguição a adversários políticos do regime instaurado em 1964.
Além da conclusão sobre o assassinato, a CEMDP recomendou a alteração da certidão de óbito de Juscelino. A proposta é que o documento passe a registrar que sua morte foi violenta e causada pelo Estado brasileiro durante a repressão política promovida pela ditadura.
A análise foi baseada em investigações e documentos reunidos ao longo dos últimos anos. O relatório aponta falhas, inconsistências e omissões nas apurações realizadas após a morte de JK, ocorrida em 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra.
Entre os elementos destacados estão a ausência de exames considerados fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte, supostas irregularidades na condução das investigações e informações sobre ameaças que teriam sido feitas ao ex-presidente antes da tragédia.
A comissão também levou em consideração estudos que relacionam o caso ao ambiente de repressão política existente na América do Sul durante os anos 1970, período marcado pela perseguição a opositores dos regimes militares.
A decisão contraria conclusões de investigações anteriores, que apontaram acidente automobilístico como causa da morte. Ainda assim, a comissão entendeu que o conjunto de evidências analisadas permite responsabilizar o Estado brasileiro pelo assassinato de Juscelino Kubitschek.
Quase meio século após sua morte, o ex-presidente responsável pela construção de Brasília volta ao centro do debate nacional, agora com o reconhecimento oficial de que teria sido mais uma vítima da ditadura militar.




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