Congresso inicia 2026 em tom de aviso ao Planalto e reforça autonomia frente ao governo Lula
- Marcus Modesto
- há 1 dia
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A abertura do ano legislativo de 2026, realizada nesta segunda-feira (2), foi marcada por discursos firmes dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, sinalizando que a relação entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto tende a ser de negociação dura ao longo do ano. Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) usaram a tribuna para reafirmar a independência do Legislativo e defender as prerrogativas parlamentares diante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente do Congresso, Alcolumbre adotou um tom direto ao tratar da chamada “harmonia entre os Poderes”. Segundo ele, o diálogo institucional não pode ser confundido com submissão. Sem menções explícitas, o senador fez críticas ao controle do Executivo sobre o orçamento e à demora na sabatina de Jorge Messias, advogado-geral da União indicado para o Supremo Tribunal Federal, cuja análise depende do Senado — hoje sob resistência do próprio Alcolumbre.
“O desejo de paz institucional jamais significou silêncio ou recuo. Defender o Parlamento é também estar disposto ao embate quando necessário”, afirmou.
Antes dele, Hugo Motta concentrou sua fala na defesa das emendas parlamentares, um dos principais focos de tensão com o Executivo. O presidente da Câmara rebateu críticas do governo ao afirmar que os recursos destinados pelo Legislativo alcançam municípios e comunidades frequentemente ignorados pela administração central. Motta também reforçou que cabe ao plenário decidir o destino dessas verbas.
Com o cenário eleitoral de 2026 já no radar, Alcolumbre ainda fez um chamado à moderação e à rejeição da violência política, colocando o Congresso como agente central na mediação de conflitos e na preservação da estabilidade democrática.
O presidente Lula não compareceu à sessão. O governo foi representado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. Já a mensagem presidencial com as prioridades do Executivo para o ano foi lida pelo deputado Carlos Veras (PT-PE). Nos bastidores, o clima indicava que o Planalto terá um caminho estreito e dependerá de articulação intensa para avançar com sua agenda legislativa.




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