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Conteúdos falsos gerados por IA explodem no Brasil e ganham viés político

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6 de fev.
  • 2 min de leitura

O uso de inteligência artificial (IA) para criar conteúdos falsos mais do que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025, com um crescimento de 308%, aponta o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, estudo inédito do Observatório Lupa divulgado nesta quinta-feira (5).


O levantamento analisou qualitativa e quantitativamente os 617 conteúdos verificados em 2025, comparando-os aos 839 de 2024. Os resultados mostram que deepfakes e outros materiais gerados com IA passaram de 39 casos em 2024 — cerca de 4,6% das checagens da Lupa naquele ano — para 159 em 2025, representando 25% das verificações, um aumento de 120 casos.


Deepfakes são tecnologias capazes de alterar rostos e vozes em vídeos, permitindo a criação de conteúdos com informações falsas. Segundo o estudo, há uma mudança estrutural no ecossistema da desinformação: se em 2024 a IA era usada majoritariamente para golpes digitais, como deepfakes de celebridades promovendo sites fraudulentos, em 2025 a tecnologia passou a ser uma arma política estratégica, com quase 45% dos conteúdos gerados com IA com viés ideológico, ante 33% no ano anterior.


O levantamento também aponta que mais de três quartos dos conteúdos falsos com IA em 2025 exploraram a imagem ou voz de pessoas conhecidas, principalmente líderes políticos. Entre os alvos, o estudo identificou: 36 ocorrências envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 33 com o ex-presidente Jair Bolsonaro e 30 com o ministro do STF Alexandre de Moraes.


Outra mudança relevante é na dispersão das plataformas. O uso do WhatsApp para espalhar desinformação caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025. Isso, segundo o Observatório Lupa, não significa que as fake news diminuíram na rede, mas que a difusão se espalhou para outras plataformas, incluindo Facebook, Instagram, Threads, X, além de aplicativos de vídeos curtos como Kwai e TikTok, que ganharam destaque na disseminação de conteúdos falsos.


O estudo, que será publicado anualmente, serve como um alerta sobre o avanço da desinformação e o papel cada vez mais estratégico da IA nesse cenário.

Com informações Agência Brasil



 
 
 

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