Copa sob ameaça: veto de Trump a vistos de brasileiros expõe o jogo sujo da diplomacia
- Marcus Modesto
- 31 de jul.
- 2 min de leitura
A torcida brasileira pode ficar de fora da Copa do Mundo de 2026. Não por falta de paixão ou recursos — mas por retaliação política. Em mais um capítulo tenso da relação entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Donald Trump estuda suspender a emissão de vistos para brasileiros durante o torneio, que será sediado em solo norte-americano entre junho e julho daquele ano. A informação, revelada pelo analista Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil, acende o alerta vermelho para milhares de torcedores que já se organizavam para acompanhar a Seleção.
Se confirmada, a medida será uma afronta não apenas ao futebol — patrimônio cultural mundial —, mas ao princípio básico de hospitalidade que a Fifa diz defender. Pior: trata-se de uma manobra diplomática baixa, usada como instrumento de pressão contra o governo brasileiro. A mesma estratégia já foi aplicada em outras frentes, como o aumento tarifário sobre exportações brasileiras e o aperto nos vistos de parlamentares em missão oficial nos EUA. Agora, a bola da vez é o povo.
E a Fifa? Silêncio protocolar. Gianni Infantino, presidente da entidade, afirmou genericamente que “todos os torcedores serão bem-vindos”, tentando manter a fachada da neutralidade. Mas não é hora de neutralidade. É hora de posicionamento firme. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, ainda não se manifestou publicamente, mas já recebeu o alerta e considera acionar o governo federal. O que está em jogo vai além da bola: é o respeito ao torcedor, ao intercâmbio cultural e à dignidade dos países sul-americanos tratados como inconvenientes por um presidente norte-americano em campanha.
É paradoxal — e revelador — que a maior festa do futebol, símbolo de união global, seja sequestrada por interesses nacionalistas e estratégias eleitorais. A possível suspensão de vistos expõe a face mais dura de um governo que não esconde sua aversão à cooperação internacional. E o pior: esse isolamento pode se estender a outros eventos, como os Jogos Olímpicos de 2028, também nos EUA.
Estudantes, profissionais, turistas e agora torcedores entram na linha de fogo de uma política externa que usa o carimbo do passaporte como arma. O Brasil precisa reagir com firmeza. A diplomacia não pode se acovardar diante de ameaças — muito menos quando o alvo são cidadãos comuns, movidos apenas pelo sonho de ver seu país brilhar nos gramados do mundo.
Se o futebol é mesmo um jogo universal, o acesso à arquibancada também precisa ser. E o mundo não pode permitir que a Copa vire um palco para o autoritarismo disfarçado de segurança. Porque o esporte aproxima. Mas a política de Trump, essa sim, só afasta.




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