Correios viram moeda de troca: Lula cede ao Centrão e entrega estatal a apadrinhado de Alcolumbre
- Marcus Modesto
- 5 de jul. de 2025
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Sob pressão do Centrão e em mais um capítulo do loteamento político que contamina o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve entregar o comando dos Correios ao grupo do senador Davi Alcolumbre (União-AP). A troca ocorre justamente no momento em que a estatal se prepara para receber um empréstimo de R$ 3,8 bilhões do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, para um ambicioso plano de modernização. Em vez de tratar o investimento como oportunidade para reconstruir os Correios com responsabilidade técnica, o governo transforma a estatal em moeda de barganha.
A saída de Fabiano Silva dos Santos, até então presidente da empresa, escancara a pressão interna para que ele cedesse às exigências políticas. Fabiano resistiu a medidas impopulares como demissões em massa e venda de ativos — e pagou o preço por isso. Foi empurrado para fora antes mesmo do fim do mandato, substituído, ao que tudo indica, por um nome escolhido não pelo mérito, mas pela conveniência.
O discurso de campanha de Lula, que prometia “blindar as estatais do fisiologismo”, está cada vez mais distante da realidade. A entrega dos Correios a um dos caciques do Centrão, justamente às vésperas de um aporte bilionário, mostra que a velha prática da partilha de cargos estratégicos continua viva. O discurso de “fortalecer o Estado” vira fachada quando a estrutura pública é loteada entre aliados em troca de apoio no Congresso.
Enquanto o governo tenta vender a ideia de que modernização e sustentabilidade serão prioridade, a gestão da estatal será decidida em gabinetes políticos. O plano de transformação ecológica dos Correios, com investimentos em energia renovável e centros operacionais sustentáveis, corre o risco de ser reduzido a vitrine eleitoral para os novos padrinhos políticos da empresa.
A escolha entre salvar os Correios com critérios técnicos ou usá-los como barganha política já foi feita — e o pragmatismo venceu. Mais uma vez, a conta recai sobre os cofres públicos e sobre a credibilidade de um governo que insiste em repetir velhos erros enquanto diz fazer diferente.
Se o governo realmente quer preservar o SUS, a Petrobras, os Correios e outras estatais estratégicas, precisa começar por respeitar sua integridade. Caso contrário, continuará entregando peças do Estado como se fossem espólios de guerra — e o custo disso será pago não só em bilhões, mas em legitimidade.




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