CPI do Crime Organizado mira Banco Master e quer ouvir dono da instituição no Senado
- Marcus Modesto
- 5 de fev.
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A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado deu um novo passo ao colocar o sistema financeiro no centro das investigações. Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB) apresentou requerimento para convocar o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a prestar esclarecimentos aos senadores. A informação foi divulgada pela coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles.
Segundo o parlamentar, a convocação tem como objetivo aprofundar apurações sobre possíveis vínculos entre operações financeiras do banco e a atuação de organizações criminosas. A CPI investiga a infiltração do crime organizado em setores formais da economia, e o mercado financeiro aparece como uma das frentes consideradas mais sensíveis.
No pedido apresentado à comissão, Alessandro Vieira aponta a existência de indícios que sugerem práticas graves, como gestão fraudulenta, formação de organização criminosa, indução de investidores a erro, uso de informações privilegiadas, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Para o relator, essas suspeitas precisam ser enfrentadas de forma direta, com o depoimento do principal responsável pela instituição.
Um dos pontos centrais do requerimento envolve aportes financeiros de grande volume que teriam sido incorporados aos balanços do Banco Master sem a devida verificação da origem dos recursos. Na avaliação do senador, há sinais de que valores possivelmente ilícitos teriam sido usados para inflar artificialmente os resultados da instituição, com tentativas posteriores de transferência desses ativos para o sistema financeiro público.
Outro foco de preocupação da CPI são as operações realizadas entre o Banco Master e a empresa Reag Trust — atualmente rebatizada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários — que já foi alvo de investigações na Operação Carbono Oculto. Para Vieira, a relação entre as duas instituições reforça a necessidade de esclarecimentos detalhados sobre eventuais conexões com grupos criminosos.
O relator também levanta suspeitas sobre falhas nos mecanismos de compliance e de prevenção à lavagem de dinheiro do banco. No documento, ele menciona a possibilidade de “cegueira deliberada”, conceito jurídico aplicado quando gestores optam conscientemente por não investigar a origem de recursos suspeitos.
Para a CPI, ouvir Daniel Vorcaro é considerado fundamental para compreender a extensão das operações, identificar responsabilidades e avaliar se o sistema financeiro brasileiro vem sendo utilizado como instrumento para ocultação e circulação de recursos oriundos do crime organizado.




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