Creches em Barra Mansa: o básico ainda é luxo — e a gestão Furlani precisa responder
- Marcus Modesto
- 12 de fev.
- 2 min de leitura
Enquanto a gestão do prefeito Luiz Furlani celebra inaugurações e obras entregues na cidade, a realidade em algumas unidades da rede pública de educação infantil mostra abandono e descaso.
Pais e responsáveis relatam falta do essencial: ventilação adequada, iluminação, água potável e manutenção básica. Em uma das unidades, um pai precisou pagar do próprio bolso para comprar iluminação — algo que não deveria depender de vaquinha comunitária. Crianças passam mal com o calor, a caixa d’água permanece quebrada e o mato alto toma conta da entrada da creche.
Esses problemas não são episódios isolados. São reflexos de uma fragilidade estrutural que, em 2025/2026, ainda persiste mesmo com obras públicas em andamento. A realidade local espelha um problema maior no Brasil: segundo levantamento do Ministério da Educação, mais de 50% das redes municipais não conseguem atender à demanda por vagas em creches, deixando milhares de crianças sem atendimento adequado — e pressionando ainda mais as unidades existentes.
A Prefeitura municipal, sob comando de Furlani, divulgou que entregou três novas creches e ampliou vagas para cerca de 400 crianças, além de obras em andamento e outras unidades em construção. Isso é positivo — mas não aceita que se tape buraco estrutural com cobertura de marketing. Enquanto inauguram equipamentos, unidades que já funcionam seguem sem as condições mínimas de dignidade e segurança.
Outro ponto que deveria ser urgente é a oferta de profissionais suficientes. Só em 2025 a Administração começou a convocar novos servidores para reforçar a educação — especialmente nas creches — justamente porque a carência de profissionais era crítica.
Não se discute aqui se a gestão fez obras ou celebra resultados. A questão é muito mais simples e fundamental: educação infantil não pode funcionar no improviso ou na base da solidariedade pública entre pais. O município é responsável pelo atendimento mínimo — ventilação, luz, água, ambiente saudável e equipe completa — não por celebrações oficiais.
Pais que hoje arcam com ventiladores e iluminação improvisada estão cumprindo um papel que deveria ser do poder público.
A pergunta que fica é direta:
Até quando a Prefeitura vai comemorar obras novas enquanto unidades básicas continuam precárias?
Porque educação infantil não é propaganda — é direito das crianças e dever do Estado.
Foto reprodução




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