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Crime organizado amplia controle sobre internet clandestina e Angra dos Reis aparece entre áreas afetadas no estado

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 12 de mai.
  • 3 min de leitura

A exploração ilegal de serviços de internet se transformou em uma das principais fontes de arrecadação do crime organizado no Rio de Janeiro. Facções criminosas e grupos milicianos passaram a dominar a oferta de conexão em comunidades e bairros sob influência armada, impondo taxas a provedores, expulsando empresas regularizadas e assumindo diretamente a operação do serviço em diversas regiões fluminenses.


Levantamento divulgado pelo jornal O Globo, baseado em investigações policiais, denúncias e informações do setor, aponta que a prática criminosa já foi identificada em pelo menos 37 municípios do estado. Entre as cidades mencionadas como áreas críticas está Angra dos Reis, no Sul Fluminense, onde empresas enfrentam dificuldades para manter atendimento e acesso a determinadas localidades dominadas por criminosos.


Segundo investigadores, o avanço da atividade está ligado ao fortalecimento do controle territorial exercido por facções e milícias, que passaram a transformar serviços essenciais em instrumentos de poder e arrecadação financeira.


Domínio territorial e intimidação


De acordo com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), os grupos criminosos monopolizam atividades econômicas em áreas dominadas, explorando não apenas internet clandestina, mas também serviços ligados à venda de gás, carvão, gelo e outros produtos.


O delegado Pedro Brasil afirmou que a ocupação territorial dificulta o combate policial, já que muitas vezes os criminosos utilizam empresas formalmente registradas para mascarar a exploração ilegal do serviço.


A prática, inicialmente associada às milícias, acabou sendo adotada também por facções do tráfico de drogas, especialmente o Comando Vermelho. Com isso, o esquema deixou de atingir apenas comunidades e passou a alcançar bairros urbanos e cidades do interior do estado.


Em várias regiões, empresas legalizadas são impedidas de realizar manutenção, instalar equipamentos ou acessar clientes. A partir desse bloqueio, grupos armados assumem o serviço ou passam a cobrar taxas ilegais das operadoras para permitir o funcionamento das redes.


Angra dos Reis entre regiões afetadas


Além de Angra dos Reis, as denúncias citam problemas em cidades como São Gonçalo, Macaé, Duque de Caxias e bairros de Niterói.


Empresários do setor relatam crescimento das ameaças, ataques a funcionários e destruição de veículos utilizados na manutenção de redes de fibra óptica. Somente nos primeiros meses de 2026 foram registrados incêndios criminosos contra estruturas e automóveis de empresas em cidades como Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá.


A pressão exercida pelo crime organizado vem causando prejuízos econômicos e afetando diretamente a expansão dos serviços de telecomunicação em várias regiões do estado.


Investigações e reação do Estado


As investigações apontam que os criminosos atuam de duas formas: criando empresas de fachada para explorar diretamente o serviço ou cobrando taxas ilegais de provedores já instalados.


O avanço do esquema levou o tema ao Supremo Tribunal Federal dentro da chamada ADPF das Favelas. O governo estadual apresentou um plano de reocupação territorial prevendo ações em comunidades dominadas pelo crime organizado, incluindo projetos para implantação de internet via rádio em áreas onde redes convencionais sofrem sabotagens constantes.


Dados do Disque-Denúncia mostram crescimento das ocorrências relacionadas à comercialização clandestina de internet e TV a cabo. Em 2025 foram mais de duas mil denúncias registradas no estado, enquanto somente nos primeiros meses de 2026 já haviam sido contabilizados centenas de novos casos.


As forças de segurança afirmam que operações de inteligência e ações policiais seguem em andamento para combater a estrutura financeira das organizações criminosas que exploram ilegalmente serviços essenciais no estado.



 
 
 

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