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Crise na Saúde Mental: CAPS de Paraty em colapso

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 11 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Paraty, RJ – O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Paraty, serviço fundamental para o tratamento de transtornos mentais na cidade, vive uma situação alarmante. Após o desligamento do psicólogo Dr. João Marcos, que vinha prestando atendimento reconhecido pela qualidade, humanidade e apoio contínuo, os pacientes estão há mais de um mês sem substituição adequada — um desgaste que põe em risco a saúde mental de muitos.


Com capacidade para atender cerca de 600 pessoas por mês e uma população de 41 mil habitantes, o CAPS de Paraty é tipicamente classificado como CAPS I, atendendo casos graves, dependência de álcool e outras drogas, com equipe multiprofissional composta por psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, entre outros . A importância desse serviço foi reforçada em 2023, quando o espaço foi reformado para ampliar o acolhimento e as atividades terapêuticas .


Interrupção do cuidado: falha grave na gestão


Pacientes relatam que, sem a presença do Dr. João, “nenhum outro profissional foi colocado em seu lugar”, deixando um vazio sem previsão de retorno. O acompanhamento em saúde mental não é um serviço opcional — trata-se de cuidado contínuo e muitas vezes vital. A ausência prolongada de profissionais qualificados pode gerar agravamento de quadros ansiosos e depressivos, crises, recaídas e até riscos à vida.


Embora a coordenação municipal tenha expandido o espaço físico e investido em infraestrutura recentemente, a falta de planejamento para garantir continuidade no atendimento é um equívoco grave da gestão. A saída ou substituição de qualquer profissional vinculada ao SUS deve ser amparada por contrato emergencial ou plano de transição, ainda mais quando se trata de serviço sensível como o CAPS.


O que a gestão pode (e deve) fazer

1. Reposição urgente de psicólogo qualificado, de preferência com experiência em intervenções de crise e acompanhamento intensivo.

2. Atendimento emergencial para os pacientes atualmente sem suporte, incluindo sessões individuais e retomada de grupos afetados.

3. Implementação de protocolos internos, que garantam planejamento prévio e substituição imediata sempre que houver desligamento de profissionais.

4. Transparência junto à comunidade: informar prazos, etapas e providências tomadas, reduzindo angústia e sensação de abandono.


Vidas em risco — e quem paga


Não se trata apenas de falha administrativa: são pessoas em sofrimento real. Quem interrompe o cuidado psicológico, especialmente em ambientes já frágeis, coloca em risco a vida daqueles que dependem desse suporte. A prefeitura e a Secretaria de Saúde devem encarar como obrigação, e não favor, a retomada do atendimento no CAPS.


É hora de agir


A saúde mental é componente indissociável da saúde pública. Em um cenário como o atual, qualquer adiamento nas medidas urgentes será uma afronta aos direitos dos pacientes e à dignidader humana. A população de Paraty merece – e precisa – medidas imediatas, para que o CAPS volte a cumprir sua função de forma plena e segura.



 
 
 

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