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Crise no governo do Rio expõe racha na direita e fragilidade da base de Cláudio Castro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A demissão de Washington Reis (MDB-RJ) da Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro escancarou uma crise institucional no coração do governo Cláudio Castro (PL-RJ). O episódio, ocorrido durante a ausência do governador em viagem oficial a Portugal, foi determinado por Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), que assumia o comando do Executivo interinamente.


A manobra revela muito mais do que uma mera troca de cargos. Expõe o desmoronamento das pontes entre o Legislativo e o Executivo, como o próprio Bacellar resumiu ao declarar: “Não há mais pontes entre Executivo e Legislativo.” A declaração, mais que simbólica, funciona como um aviso claro: a governabilidade de Castro está sob ameaça — e não apenas por tensões políticas, mas por uma insubordinação explícita de sua própria base.


O impasse também acirra a disputa interna da direita fluminense rumo a 2026. Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e aliado de peso, representa um importante elo entre o governo estadual e grupos políticos do MDB — partido com presença relevante na Baixada Fluminense. Sua demissão pode provocar uma reconfiguração de alianças, enfraquecendo a base de Castro e tensionando ainda mais a relação entre os grupos que disputam o protagonismo conservador no estado.


Enquanto isso, Rodrigo Bacellar não esconde suas ambições. Ao desafiar o governador e impor sua autoridade durante o exercício interino do cargo, sinaliza que pretende deixar de ser um mero coadjuvante. Mais do que uma ruptura pontual, o gesto indica uma tentativa clara de se colocar como alternativa ao projeto político de Castro, aproximando-se inclusive de Jair Bolsonaro — o que pode transformar Bacellar em peça-chave nas articulações da direita fluminense.


O episódio revela um Estado onde as instituições parecem operar em lógica de disputa pessoal, em detrimento da estabilidade e do interesse público. A falta de coordenação e lealdade dentro da própria base governista evidencia um governo frágil, vulnerável às intempéries de uma classe política que atua com base em conveniências e não em compromissos.


Mais do que uma crise pontual, o que se vê é a prévia de uma disputa maior, que deve se intensificar nos próximos meses. O Rio de Janeiro, mais uma vez, é refém de seus próprios bastidores.



 
 
 

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