CSN aposta em pesquisa com café para ampliar uso agrícola de coproduto industrial
- Marcus Modesto
- 20 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou testes em campo para verificar a aplicação agrícola de um material gerado em seu processo industrial: o agregado siderúrgico oriundo da escória de aciaria. A nova fase de estudos será realizada em parceria com a Fundação Procafé e terá como foco o cultivo do café, uma das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
Os experimentos acontecerão na área experimental da Procafé, no município de Lajinha, em Minas Gerais. A proposta é observar, ao longo do desenvolvimento dos cafeeiros, como o material se comporta em comparação a corretivos tradicionais, especialmente o calcário. Os resultados serão acompanhados de forma periódica, com avaliações semestrais que permitirão ajustes e análises desde o início do plantio.
A Procafé é reconhecida nacionalmente por sua atuação prática junto a produtores, cooperativas e órgãos públicos, funcionando como ponte entre pesquisa científica e aplicação no campo. O trabalho contará com a participação do pesquisador José Braz Matiello, referência técnica na cafeicultura brasileira, com histórico de estudos que influenciaram diretamente o manejo e a produtividade das lavouras.
Durante o estudo, serão analisados aspectos como crescimento das plantas, resposta inicial em produtividade e alterações químicas no solo e nas folhas. O agregado siderúrgico será aplicado tanto no plantio quanto no segundo ano da cultura, permitindo avaliar seus efeitos ao longo do tempo na correção da acidez do solo e no fornecimento de nutrientes.
Liberação oficial abriu caminho para novos testes
A ampliação das pesquisas ocorre após o material receber autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em novembro, para uso como insumo na produção de fertilizantes e corretivos agrícolas em todo o país. A liberação levou em conta ensaios técnicos que comprovaram a eficiência do produto na neutralização da acidez do solo e sua adequação aos parâmetros ambientais exigidos pela legislação.
O agregado é produzido no Pátio da Brasilândia, em Volta Redonda, onde a escória de aciaria passa por processos de tratamento, como britagem, separação por granulometria e estabilização. Segundo a CSN, o reaproveitamento do material está alinhado a práticas de economia circular, reduzindo passivos industriais e dando nova destinação a coprodutos da siderurgia.
Ensaios também avançam no estado do Rio
Paralelamente aos testes em Minas Gerais, a CSN mantém estudos em parceria com a Pesagro-Rio, vinculada ao governo do Estado do Rio de Janeiro. As pesquisas são voltadas a culturas adaptadas a solos mais ácidos, comuns em diversas regiões fluminenses, e buscam estabelecer parâmetros técnicos para o uso seguro e eficiente do agregado.
Com os ensaios conduzidos em diferentes condições de solo e clima, a empresa pretende ampliar o conjunto de dados agronômicos disponíveis, reforçando a viabilidade do material como alternativa aos insumos convencionais utilizados na agricultura.
Foto Divulgação




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