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Da visita técnica à mansão investigada: o que a comitiva de Barra Mansa foi aprender em Ananindeua?

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 9 de mar.
  • 2 min de leitura

Uma investigação do Ministério Público do Estado do Pará colocou o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, no centro de um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso envolve a compra de uma casa de luxo em Fortim, no litoral do Ceará, avaliada em até R$ 4 milhões.


Segundo os investigadores, o imóvel teria sido pago com transferências feitas por empresas que mantêm contratos com a prefeitura. O padrão identificado chama atenção: empresas recebiam recursos públicos do município e, logo depois, parte desse dinheiro era transferida para pagar parcelas da mansão.


Entre os exemplos citados na investigação está uma empresa fornecedora de material escolar que recebeu cerca de R$ 1,48 milhão da prefeitura. No dia seguinte ao pagamento, teria transferido R$ 866 mil para quitar parte do imóvel. Outra empresa, que fornece produtos de limpeza para a rede municipal, também aparece nas movimentações suspeitas.


As suspeitas não param na casa de praia. A investigação também aponta uma evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos declarados pelo prefeito. Durante buscas, investigadores encontraram cerca de R$ 4,1 milhões em relógios de luxo, incluindo marcas como Rolex e Patek Philippe, em um apartamento ligado ao prefeito em Fortaleza.


O caso acabou chegando ao Supremo Tribunal Federal porque a defesa tentou incluir no processo a deputada federal Alessandra Haber, esposa do prefeito. A relatoria está com a ministra Cármen Lúcia, enquanto o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão temporária do processo até análise de pedidos da defesa.


A “visita técnica” que agora levanta perguntas


Em meio a essa investigação, um detalhe curioso ganha novo significado. Em abril de 2024, uma comitiva de Barra Mansa realizou uma visita técnica ao distrito industrial de Ananindeua e também ao distrito industrial de Belém.


Na ocasião, a justificativa oficial foi conhecer modelos de gestão de áreas incentivadas para aplicar no Sul Fluminense, com a missão de atrair investimentos e fortalecer o desenvolvimento industrial.


Mas diante das revelações que vieram à tona agora, a pergunta que surge naturalmente é outra: o que exatamente a comitiva foi aprender em Ananindeua?


Porque, se a investigação do Ministério Público estiver correta, o município paraense pode ter se tornado referência em um modelo bem diferente de gestão — aquele em que empresas contratadas pelo poder público acabam financiando patrimônio privado de autoridades.


Claro que ninguém está dizendo que foi isso que a comitiva foi estudar. Oficialmente, a agenda tratava de desenvolvimento industrial. Mas, no Brasil de hoje, onde escândalos políticos parecem surgir com frequência alarmante, fica difícil ignorar a ironia.


Enquanto autoridades viajam em busca de “modelos de gestão”, o que aparece nas manchetes é uma mansão milionária, pagamentos suspeitos e uma investigação que já alcançou a mais alta Corte do país.


No mínimo, uma coincidência que levanta perguntas. Muitas perguntas.



 
 
 

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