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Daniel Munduruku lança nova obra e reflete sobre o tempo, infância e o papel da literatura indígena

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 21 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Escritor participou da Feira do Livro 2025 em São Paulo e falou sobre suas obras e o crescimento da literatura indígena no Brasil


“A natureza não dá saltos. Ela segue seu fluxo.” É com essa frase que começa Estações, novo livro do escritor e professor indígena Daniel Munduruku. A obra, voltada ao público infantojuvenil, propõe uma reflexão sensível sobre o tempo, os ciclos da natureza e a própria existência humana.


Com 65 livros publicados e referência nacional na literatura indígena, Munduruku esteve nesta sexta-feira (20) na Feira do Livro 2025, que acontece até domingo (22) na Praça Charles Miller, em frente ao Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. No estande das editoras Moderna e Salamandra, ele autografou Estações e também o livro Crônicas Indígenas para Rir e Refletir na Escola, conversando com o público presente.


Segundo o autor, Estações propõe uma reconexão com a natureza e consigo mesmo. “A gente vive um processo das estações do ano, das estações da natureza e das estações da vida. É um jogo de palavras para lembrar que nós somos natureza. E se a gente não cuidar dela, não estamos cuidando da gente”, afirmou.


Apesar de classificado como livro infantil, Munduruku ressalta que escreve para a infância como estado de espírito — e não apenas para crianças. “Eu escrevo para a infância. E a infância é habitada em todo mundo. Todo mundo carrega essa infância dentro de si”, diz.


De forma bem-humorada, ele define seu livro como um “cavalo de Troia”: “Os livros que as crianças leem normalmente são lidos pelos pais. Então eu escrevo para os pais também. A ideia é atingir a infância que ainda habita neles, muitas vezes esquecida ou malformada.”


Crônicas Indígenas: o humor como ferramenta de aprendizado


Em Crônicas Indígenas para Rir e Refletir na Escola, Munduruku volta-se ao público jovem com uma abordagem leve, mas crítica. “O livro traz passagens, algumas até preconceituosas, que vivi ou ouvi de amigos. A ideia é provocar espanto. E aprender, para mim, é se espantar com aquilo que não se sabe — se espantar com a própria ignorância.”


O autor conversou com a Agência Brasil e a Rádio Nacional sobre a importância da literatura indígena e os desafios enfrentados por quem escreve a partir de uma perspectiva ancestral, mas dentro de um formato historicamente excludente.


“A literatura indígena no formato de livro é recente. Tem, no máximo, 30 ou 35 anos. Nós só fomos reconhecidos como brasileiros em 1988, com a Constituição. Então faz apenas 37 anos que estamos tentando dialogar com o Brasil em uma linguagem que não é nossa, mas que fomos obrigados a dominar.”


Atualmente, segundo Munduruku, o país já conta com cerca de 120 autores indígenas e mais de 300 títulos publicados. Ele próprio foi um dos primeiros, com o lançamento de Histórias de Índio, em 1996.


“Isso representa um avanço fabuloso, que tem a ver com o movimento da sociedade e também da educação, que passa a exigir novos conteúdos nas escolas. É uma literatura que ainda tem muito a dizer. Fala de um Brasil profundo e de uma ancestralidade que foi sendo esquecida.”


Novo projeto: Fantasmas


Apaixonado pela escrita, Daniel Munduruku revela que está preparando um novo livro, desta vez com foco no público adulto. “Eu tô viciado em escrever. E quando a gente vicia, qualquer coisa vira possibilidade de virar livro”, brinca. O novo título se chamará Fantasmas.


Segundo ele, a obra terá um estilo mais introspectivo, quase como um monólogo. “É um livro que talvez surpreenda um pouco pelo estilo diferente. Mas, como eu sempre digo, todos os meus livros são, no fundo, para adultos também.”



 
 
 

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