top of page
Buscar

“Dark Horse” vira alvo de suspeitas, ações judiciais e crise política em Brasília

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 20 de mai.
  • 2 min de leitura

A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”, mergulhou em uma escalada de controvérsias após revelações envolvendo a estrutura financeira da produção e o histórico da produtora responsável pelo longa.


Informações da Agência Nacional do Cinema (Ancine) apontam que a empresa Go Up Entertainment, ligada à jornalista Karina Ferreira da Gama, jamais lançou qualquer obra audiovisual no Brasil ou no exterior. O caso ganhou repercussão nacional depois de reportagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a captação milionária de recursos para o filme.


Segundo registros oficiais, a Go Up teve cadastro confirmado na Ancine apenas em julho de 2025. Apesar de estar regularizada, não possui histórico de produções exibidas em cinema, televisão aberta ou plataformas audiovisuais. Outras duas empresas ligadas a Karina — Go7 Assessoria e Instituto Conhecer Brasil — também não registram obras concluídas.


Nos bastidores do setor audiovisual, cresce a suspeita de que a Go Up tenha sido criada exclusivamente para viabilizar “Dark Horse”. Alterações no contrato social da empresa teriam ocorrido pouco antes do início da produção.


A própria Karina reconheceu que os primeiros aportes financeiros chegaram em março de 2025, enviados por um fundo administrado no Texas pelo advogado Paulo Calixto, apontado como aliado do deputado federal Eduardo Bolsonaro. Após os repasses, a produtora teria regularizado sua situação junto à Ancine e à Receita Federal.


O orçamento do longa também provocou espanto no mercado. A produção já teria consumido cerca de US$ 13 milhões — aproximadamente R$ 65 milhões. O valor supera o custo de filmes brasileiros recentes de grande repercussão, incluindo “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”.


Karina defendeu os gastos e afirmou que boa parte do orçamento foi destinada ao elenco internacional e às longas semanas de gravação. O filme é dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo. Caviezel interpreta Bolsonaro na produção.


O elenco ainda inclui Esai Morales, conhecido pela franquia Missão: Impossível.


A crise política aumentou após reportagens indicarem que Flávio Bolsonaro participou da articulação financeira do projeto. O senador admitiu ter captado cerca de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, utilizando uma estrutura financeira ligada a aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos.


As suspeitas levantadas envolvem a origem dos recursos e a utilização de fundos internacionais para financiar o projeto cinematográfico. Também surgiram questionamentos sobre eventual uso indireto da estrutura para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.


Karina afirmou não ter participado da captação dos recursos e declarou desconhecer detalhes sobre os investidores envolvidos no longa.


Além da repercussão política, o caso já chegou aos tribunais superiores. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionaram o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a estreia do filme antes das eleições de 2026. O argumento é que a obra poderia funcionar como propaganda eleitoral disfarçada.


Paralelamente, o ministro Flávio Dino autorizou uma apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos destinados a entidades ligadas à produtora.


Enquanto investigações avançam em Brasília, “Dark Horse” ainda não tem data oficial de estreia, mas já se tornou um dos projetos cinematográficos mais polêmicos da política brasileira recente.



 
 
 

Comentários


bottom of page