Delação de Daniel Vorcaro provoca tensão no STF e amplia pressão sobre aliados políticos
- Marcus Modesto
- há 4 horas
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As negociações envolvendo a possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entraram em uma fase de forte tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal. Segundo reportagem da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro André Mendonça teria protagonizado discussões consideradas ríspidas com a defesa do empresário durante as tratativas sobre o acordo de colaboração.
De acordo com a publicação, Mendonça demonstrou insatisfação com o conteúdo apresentado até agora pelos advogados de Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. A avaliação dentro do STF é de que as informações entregues seriam insuficientes diante do volume de provas e dados já reunidos pelas investigações.
Os anexos da delação foram protocolados oficialmente nesta quarta-feira (6), mas o clima que inicialmente era de expectativa passou a ser marcado por desconfiança e pressão crescente sobre os envolvidos.
Relação com Alcolumbre virou ponto central
Entre os principais focos de interesse das investigações está a relação de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Investigadores apuram encontros entre os dois, incluindo uma reunião realizada na residência oficial do Senado. O episódio teria sido identificado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular da ex-namorada de Vorcaro, Marta Graeff, aparelho apreendido durante a investigação.
Nos bastidores, integrantes do STF consideram que a delação ainda não esclareceu suficientemente a dimensão dessa relação política e financeira.
Aplicações da Amprev aumentaram suspeitas
Outro eixo das investigações envolve a Amapá Previdência, conhecida como Amprev.
Segundo a apuração, cerca de R$ 400 milhões teriam sido aplicados em títulos de alto risco ligados ao Banco Master. Na época das operações financeiras, a instituição previdenciária era presidida por Jocildo Silva Lemos, apontado pela Polícia Federal como aliado político de Alcolumbre.
As movimentações financeiras passaram a ser tratadas como um dos pontos mais delicados do caso, ampliando o interesse da PF e do Ministério Público sobre os bastidores das operações envolvendo o banco.
Defesa teme rejeição do acordo
Com o endurecimento das negociações, a defesa de Daniel Vorcaro já trabalha com a possibilidade de o acordo de colaboração ser rejeitado pelo ministro André Mendonça.
Caso isso aconteça, os advogados estudam recorrer à Segunda Turma do STF em busca de reverter a decisão e tentar obter a libertação do ex-banqueiro.
As tratativas seguem sob sigilo e incluem discussões sobre redução de pena, regime de cumprimento e eventual devolução de recursos ao Estado.
Investigadores avaliam que, para conseguir a homologação da delação, Vorcaro precisará apresentar provas inéditas e informações mais contundentes do que as entregues até agora.
Ministros do STF também aparecem citados
O avanço das investigações elevou a tensão dentro do meio político e jurídico em Brasília. Segundo a Folha de S.Paulo, interlocutores ligados ao ex-banqueiro chegaram a afirmar inicialmente que ele não pretendia envolver ministros do STF.
Posteriormente, porém, os advogados teriam sinalizado que Vorcaro estaria disposto a colaborar sem poupar nomes ligados ao Judiciário e à política nacional.
Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem mencionados em materiais analisados pela Polícia Federal. Ambos negam qualquer irregularidade.
Prisões intensificaram crise
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal sustentou que havia risco de fuga, enquanto a defesa alegou que a viagem tinha objetivos empresariais ligados ao Banco Master.
Após conseguir liberdade, o ex-banqueiro voltou a ser preso em março deste ano durante a operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Agora, a expectativa gira em torno dos próximos passos da delação, considerada uma das investigações mais sensíveis envolvendo o sistema financeiro, o meio político e integrantes do Judiciário brasileiro.




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