Delegação empresarial em Washington vira palco de constrangimento com presença de Eduardo Bolsonaro
- Marcus Modesto
- 5 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O que deveria ser uma missão exclusivamente voltada a negócios, com empresários tentando reverter tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, transformou-se em um episódio de constrangimento político. A presença do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do comentarista Paulo Figueiredo no hotel da comitiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Washington pegou de surpresa representantes setoriais e gerou desconforto explícito entre os participantes.
Enquanto a delegação buscava construir pontes para o diálogo econômico, Eduardo circulava nos corredores ao lado de Figueiredo — ambos defensores de sanções contra o Brasil em articulações com Donald Trump. A situação foi classificada por um empresário como “sem sentido” e por outro como “estranhíssima”, resumindo o incômodo de quem viu no episódio uma contradição evidente: figuras que apoiam medidas punitivas contra o país dividindo espaço com quem tenta justamente mitigá-las.
A CNI fez questão de negar qualquer envolvimento no convite. O presidente Ricardo Alban reforçou que a missão havia sido organizada para blindar os empresários de interesses políticos e, inclusive, sem a presença de técnicos do governo federal. A tentativa, no entanto, foi esvaziada. Nos encontros oficiais com autoridades americanas, a política dominou a pauta e a carta de Trump citando processos contra Jair Bolsonaro e decisões do STF sobre big techs voltou a ser referência constante.
No fundo, a presença inesperada de Eduardo Bolsonaro acabou expondo a fragilidade do empresariado brasileiro diante de uma diplomacia cada vez mais marcada por interesses pessoais e disputas ideológicas. Em vez de abrir espaço para negociações técnicas sobre etanol, minerais críticos ou data centers, a viagem foi capturada pelo espectro da polarização.
A cena em Washington evidencia o risco de quando interesses privados se misturam com agendas políticas de figuras que não representam o setor produtivo. No lugar de soluções concretas, o que ficou para a comitiva foi o registro de mais um constrangimento — um ruído que pode custar caro num momento em que o Brasil tenta reposicionar sua credibilidade no comércio internacional.




Comentários