Deolane Bezerra é denunciada pelo MP-SP em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC
- Marcus Modesto
- 11 de jun.
- 2 min de leitura
O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou seis pessoas acusadas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro supostamente vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados estão a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que sustenta a existência de uma estrutura financeira criada para ocultar a origem de recursos obtidos ilegalmente e inseri-los na economia formal. Segundo as investigações, o esquema teria operado entre 2018 e 2025 utilizando uma empresa de transportes administrada por Ciro Cesar Lemos, condenado anteriormente por envolvimento com organização criminosa.
De acordo com o Ministério Público, Lemos recebia orientações de Marcola e de seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, também apontado como integrante da cúpula da organização. A função dele seria distribuir valores e rendimentos a integrantes da rede investigada.
Além de Deolane, Marcola, Alejandro e Lemos, a denúncia inclui Everton de Sousa, identificado como operador financeiro do grupo, e os irmãos Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. Conforme o Gaeco, Leonardo e Paloma estariam foragidos no exterior.
Os promotores afirmam que Deolane recebeu depósitos fracionados oriundos da transportadora utilizada no esquema. A acusação sustenta que os recursos eram movimentados em contas de sua titularidade para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
A investigação aponta ainda que a influenciadora planejava reorganizar a estrutura de suas empresas, incluindo a transferência de ativos para fundos sediados fora do país. Na avaliação do Ministério Público, a medida poderia contribuir para a ocultação de patrimônio relacionado aos valores investigados.
Segundo o Gaeco, Everton de Sousa atuava no controle das movimentações financeiras e na supervisão das prestações de contas. Já Leonardo e Paloma seriam beneficiários de parte dos recursos distribuídos por determinação de Alejandro, cabendo a Paloma transmitir orientações sobre a divisão dos valores.
Deolane permanece presa após ter um pedido de habeas corpus negado pela Justiça. Marcola está detido desde 1999 e Alejandro desde 2006. Apesar do encarceramento, os investigadores sustentam que ambos continuavam exercendo influência sobre atividades da facção por intermédio de familiares, advogados, outros presos e canais clandestinos de comunicação.
Defesa nega participação em crimes
A defesa de Deolane Bezerra informou que ainda não teve acesso integral ao conteúdo da denúncia e afirmou que a influenciadora não integra organização criminosa nem praticou qualquer irregularidade.
Os advogados de Marcola e Alejandro argumentam que os dois permanecem em presídios de segurança máxima desde 2019, o que tornaria inviável a participação deles no esquema descrito pelo Ministério Público. A defesa acrescentou que Leonardo e Paloma rejeitam integralmente as acusações e sustentam que os elementos patrimoniais e financeiros citados na investigação possuem origem regular, devendo ser esclarecidos durante o processo judicial.

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