Deportados e esquecidos: a dura realidade dos brasileiros expulsos dos EUA
- Marcus Modesto
- 12 de fev. de 2025
- 2 min de leitura
Internacional:
A cada novo voo de deportação que aterrissa no Brasil, histórias de vidas interrompidas e sonhos destruídos se repetem. O que deveria ser um processo administrativo acaba se tornando uma verdadeira sentença de humilhação e abandono para aqueles que são obrigados a deixar os Estados Unidos sem sequer carregar uma mala ou dar um destino digno aos bens que construíram.
O relato de André dos Santos, obrigado a deixar para trás não só uma casa mobiliada, mas até seu animal de estimação, escancara a frieza com que os imigrantes são tratados. Não há qualquer consideração pela trajetória dessas pessoas, muitas delas trabalhadoras incansáveis, que passaram anos sustentando a economia americana em subempregos exaustivos.
O governo dos EUA, ao deportá-los, age como se eles fossem criminosos, algemando-os e tratando-os como meros objetos a serem descartados. O Brasil, por sua vez, assiste passivamente a esse espetáculo de desumanidade, oferecendo pouca ou nenhuma assistência a esses cidadãos que retornam com a roupa do corpo, sem dinheiro, sem documentos e sem perspectivas.
A falta de um tratado internacional que proteja os bens e os direitos básicos dos deportados reforça a vulnerabilidade dessas pessoas. Muitos deixam contas bancárias, carros e até imóveis para trás, sem qualquer garantia de que poderão reavê-los. O governo americano simplesmente se exime de qualquer responsabilidade, e o brasileiro, incapaz de intervir de forma efetiva, limita-se a promessas vazias de que “acompanhará o caso”.
É inadmissível que, em pleno século XXI, trabalhadores que dedicaram anos de suas vidas a um país estrangeiro sejam tratados com tamanho desprezo. A deportação não pode ser um processo desumano, onde as pessoas são arrancadas de suas rotinas sem sequer a chance de organizar suas vidas. Se os EUA insistem em adotar políticas de imigração cada vez mais severas, ao menos que ofereçam aos deportados a dignidade de um retorno menos cruel.
Enquanto isso, brasileiros como André e Pedro são lançados ao abandono, reféns de um sistema que os expulsa sem olhar para trás. E, como sempre, quem mais sofre são aqueles que já estavam em situação de vulnerabilidade, agora entregues à incerteza de um recomeço forçado e injusto.




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