Desmatamento da Mata Atlântica cai 14% em 2024, mas grandes derrubadas preocupam especialistas
- Marcus Modesto
- 12 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Apesar da queda de 14% nos alertas de desmatamento registrados na Mata Atlântica em 2024, o cenário ainda exige atenção. Os dados, divulgados nesta semana pela Fundação SOS Mata Atlântica, têm como base os levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD). O relatório aponta uma tendência de desaceleração nos estados historicamente mais afetados, mas alerta para a continuidade de grandes perdas concentradas em áreas privadas.
O número de alertas em regiões de mata madura passou de 7.396, em 2023, para 5.693 em 2024. No entanto, o tamanho médio das áreas devastadas aumentou de 11,2 para 12,5 hectares, indicando que os desmatamentos continuam acontecendo em larga escala, mesmo em menor quantidade.
“Em outras palavras, o desmatamento ainda representa uma grande ameaça para o futuro da Mata Atlântica. E esse é também o futuro de todos nós”, afirmou Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. Ele ressalta que o bioma é vital para o país, abrigando cerca de 70% da população brasileira e sustentando mais de 80% do PIB nacional.
Bahia e Piauí lideram em áreas desmatadas
Entre os estados monitorados, o Piauí registrou o maior crescimento no desmatamento: 44% a mais do que no ano anterior, alcançando 26.030 hectares. A Bahia também acendeu um alerta, com um salto expressivo na supressão de matas maduras: de 2.456 para 4.717 hectares, apesar da queda geral de 37% no desmatamento total do estado.
Já em estados como Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais — que costumam figurar entre os maiores focos de devastação —, a tendência de redução se manteve em 2024, resultado de políticas públicas locais mais eficientes.
No caso do Rio Grande do Sul, a alta nos números está ligada a fatores climáticos. Enchentes e deslizamentos ocorridos em maio de 2024 contribuíram para a supressão de 3.307 hectares de vegetação nativa ao longo do ano, em um cenário considerado atípico.
Agropecuária e falta de controle fundiário seguem como motores da destruição
A expansão da agropecuária permanece como a principal responsável pela devastação da Mata Atlântica. Mais de 70% das áreas desmatadas estavam situadas em propriedades privadas ou terrenos sem regularização fundiária. A transformação de grandes áreas em pastagens ou lavouras continua sendo um desafio para a preservação do bioma.
O relatório reforça ainda que, apesar de avanços tecnológicos no monitoramento e fiscalização de pequenos fragmentos, o desmatamento em grande escala persiste em regiões com baixa presença do poder público.
Para a SOS Mata Atlântica, o uso intensivo do solo, somado às mudanças climáticas e à ausência de políticas públicas integradas, compromete funções vitais da floresta, como a regulação do clima, a preservação da biodiversidade e o abastecimento hídrico.
Chamado à ação coletiva
A entidade finaliza o documento com um apelo pela união de esforços entre os governos federal e estaduais, setor privado e sociedade civil. A preservação da Mata Atlântica, considerada um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo, depende de uma atuação conjunta e urgente diante da escalada da crise ambiental no Brasil.




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