Destino da arma usada no caso Marielle segue indefinido no STF
- Marcus Modesto
- 25 de fev.
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O desaparecimento da submetralhadora HK MP5 apontada como arma do assassinato da vereadora Marielle Franco permanece como um dos pontos mais delicados do julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal. O armamento nunca foi apreendido, o que mantém uma lacuna relevante na reconstrução completa do crime.
Durante as sessões, duas versões conflitantes voltaram ao centro do debate. A primeira sustenta que a arma teria sido destruída — serrada e descartada no mar da Barra da Tijuca — cerca de um ano após o atentado, depois da prisão de Ronnie Lessa. A segunda narrativa, apresentada pelo próprio ex-PM em acordo de colaboração, afirma que o armamento foi devolvido ao suposto mandante logo após a execução.
Credibilidade sob análise
A consistência das declarações de Lessa passou a ser examinada com cautela, especialmente porque ele foi condenado em 2021 por ocultação e destruição de provas na Operação Submersus. Ainda assim, em depoimentos prestados à Justiça, afirmou ter recebido a HK MP5 de Edmilson da Silva de Oliveira, o Macalé, apontado como intermediário.
Macalé morreu em 2021, em Bangu, o que impede a verificação direta de sua participação. Segundo o relato de Lessa, a arma teria origem com Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, ex-assessor do conselheiro Domingos Brazão. Após o crime, o armamento teria sido levado para Rio das Pedras e entregue ao ex-PM Marcus Vinicius Reis dos Santos, o Fininho.
É justamente nesse trecho da narrativa que surgem questionamentos relevantes no processo.
Pontos sem esclarecimento
A defesa de acusados destaca que não houve confronto formal com o suposto destinatário da arma para esclarecer o paradeiro da HK MP5. Em um caso no qual o objeto material do crime jamais foi localizado, essa etapa é considerada estratégica para consolidar a linha investigativa.
Outro elemento citado durante o julgamento envolve a nomeação da esposa de Fininho para cargo na Assembleia Legislativa do Rio em 2017. Um documento apreendido no gabinete de Brazão mencionava o nome do casal. O registro, isoladamente, não comprova irregularidade, mas integra o conjunto de informações analisadas no processo.
O advogado Marcelo Ferreira, que atua na defesa de Rivaldo Barbosa, mencionou em plenário declaração de Élcio de Queiroz segundo a qual Lessa teria afirmado que a arma foi destruída e lançada ao mar — versão que contrasta com a hipótese de devolução.
Lacunas e peso da colaboração
As divergências não invalidam automaticamente o acordo de colaboração, já que parte das informações foi confirmada por outros elementos de prova. No entanto, a ausência da arma do crime impõe um desafio adicional à coerência global das versões apresentadas.
Em julgamentos envolvendo organizações criminosas, a palavra de colaboradores costuma ter relevância significativa. Ainda assim, sua força jurídica depende de consistência interna e confirmação externa.
No caso da HK MP5, o paradeiro desconhecido mantém aberto um dos capítulos mais sensíveis de um processo de grande repercussão nacional, exigindo exame técnico rigoroso para que eventuais dúvidas não permaneçam sem resposta.




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