Detida em presídio superlotado de Roma, Carla Zambelli aguarda decisão da Justiça italiana sobre extradição
- Marcus Modesto
- 31 de jul. de 2025
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ROMA (Itália) — Detida desde a última terça-feira (29), a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) passa seus dias em uma cela comum no presídio feminino Germana Stefanini, localizado no complexo penitenciário de Rebibbia, na zona nordeste de Roma. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por envolvimento em invasão de sistemas da Justiça Eleitoral, Zambelli foi capturada após deixar o Brasil e passou a ser alvo de um mandado de prisão internacional.
Instalada na ala Camerotti, destinada a detentas de segurança média e mulheres em situação processual semelhante — ou seja, recém-chegadas e ainda sem sentença definitiva —, a deputada divide o espaço com outras presas italianas e estrangeiras. A cela tem dois beliches e banheiro, mas os chuveiros são coletivos e compartilhados com as demais internas do andar.
O presídio onde está Zambelli é um dos maiores da Europa, com capacidade para pouco mais de 270 mulheres, mas que, segundo dados do Departamento de Administração Penitenciária da Itália, já abrigava 369 presas no fim de junho — um retrato da grave crise carcerária no país, que atualmente enfrenta a terceira pior taxa de superlotação da União Europeia.
Sem direito a tratamento diferenciado, a parlamentar brasileira também não conta com um setor exclusivo para estrangeiras em processo de extradição. De acordo com seu advogado, Alexandro Maria Tirelli, “detentas nessa situação permanecem em celas comuns”.
Construído na década de 1950 e inicialmente administrado por freiras, o presídio hoje conta com teatro, biblioteca, espaços religiosos, academia e até campos esportivos — contrastes que não apagam a rotina dura de reclusão, especialmente em um ambiente onde o número de presas supera a estrutura ideal.
Zambelli será interrogada pela Justiça italiana nesta sexta-feira (1º), quando o tribunal decidirá se ela continuará presa, se poderá cumprir prisão domiciliar ou se terá liberdade provisória enquanto aguarda o julgamento do pedido de extradição feito pelo Brasil. A audiência é aguardada com atenção tanto por autoridades italianas quanto por integrantes do Judiciário brasileiro.
A prisão da deputada em território europeu acendeu um novo capítulo da tensão entre Brasília e Roma. Além da repercussão jurídica, o caso ganhou contornos políticos — Zambelli, figura central do bolsonarismo, é vista como símbolo do embate entre setores do Congresso e o STF. Sua tentativa de fuga e posterior detenção no exterior colocam à prova os acordos internacionais de cooperação jurídica e extradição.
Enquanto aguarda uma definição, a parlamentar vive os efeitos da justiça italiana longe dos holofotes e do privilégio parlamentar — enfrentando uma realidade que, para muitas detentas, é cotidiana, mas para uma deputada brasileira em queda livre, é um duro e inédito capítulo.




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