Dia de Reis mantém viva a fé e a cultura popular no Rio de Janeiro
- Marcus Modesto
- 6 de jan.
- 2 min de leitura
Celebrado em 6 de janeiro, o Dia de Reis lembra a Epifania, data do calendário cristão que remete à visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus. A comemoração marca o encerramento do período natalino e segue presente no cotidiano fluminense graças à Folia de Reis, expressão cultural que une religiosidade, música e tradição popular.
Entre o Natal e o Dia de Reis, grupos organizados percorrem ruas e residências entoando cânticos religiosos, acompanhados por instrumentos como viola, sanfona e pandeiro. Os integrantes usam roupas coloridas e carregam símbolos que representam a jornada dos magos. Cada visita carrega o significado de levar bênçãos às famílias e, ao mesmo tempo, agradecer graças alcançadas ao longo do ano.
A origem dos Três Reis Magos
A tradição cristã relata que sábios vindos do Oriente chegaram a Belém guiados por uma estrela, levando presentes simbólicos ao recém-nascido Jesus: ouro, incenso e mirra. A narrativa está registrada no Evangelho de Mateus e é interpretada pela teologia cristã como a revelação de Jesus ao mundo como o Messias.
O texto bíblico, no entanto, não descreve os visitantes como reis, mas como magos — termo utilizado na época para designar estudiosos ou sábios. A associação à realeza surgiu séculos depois, ganhando força durante a Idade Média, quando a iconografia cristã passou a retratá-los como reis de diferentes origens.
Estudiosos apontam ainda possíveis vínculos dos magos com o zoroastrismo, religião praticada na antiga Pérsia, uma das regiões citadas como provável ponto de origem desses visitantes. Os nomes Gaspar, Baltasar e Melchior também não aparecem na Bíblia. Eles surgiram em textos apócrifos por volta do século VI, assim como a definição de que eram três, número associado aos presentes oferecidos.
Festa, música e solidariedade
Conhecida também como Reisado, a Folia de Reis se espalhou por várias regiões do Brasil e preserva um forte caráter comunitário. Um dos costumes mais marcantes é a visita dos chamados Ternos de Reis às casas, com cantorias religiosas que narram a viagem dos magos e exaltam o nascimento de Jesus.
Durante as apresentações, os grupos costumam receber doações de alimentos. Parte essencial da tradição, essa prática reforça o espírito solidário da festa, já que os itens arrecadados normalmente são destinados a ações de caridade. Além dos músicos, algumas folias contam com dançarinos e personagens simbólicos, todos trajando vestimentas típicas.
Presença marcante na Baixada e na capital
No estado do Rio de Janeiro, a Folia de Reis mantém forte presença, especialmente na Baixada Fluminense. Municípios como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti e Magé abrigam grupos tradicionais. Em distritos como Xerém e Imbariê, além de áreas rurais de Magé, os cortejos ainda mobilizam moradores e fiéis.
Na capital fluminense, a tradição resiste sobretudo nas zonas Norte e Oeste. Bairros como Triagem, Penha, Ramos e Madureira, além de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba, seguem sendo palco das cantorias que atravessam gerações e mantêm viva uma das manifestações culturais mais antigas do calendário cristão popular.




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