Ditadura nunca mais : Memória, vigilância e ecos do passado
- Marcus Modesto
- 9 de abr.
- 2 min de leitura
Enquanto iniciativas de preservação histórica ganham espaço no Sul Fluminense, um contraste inquietante se desenha no presente. Em Barra Mansa, o antigo quartel do 1º BIB — cenário de prisões, torturas e mortes durante a Ditadura Militar no Brasil — hoje recebe visitas guiadas promovidas por instituições como a Universidade Federal Fluminense. A proposta é clara: manter viva a memória de um período marcado pela repressão e pela supressão de direitos.
A iniciativa é louvável. Revisitar esses espaços não é apenas um exercício histórico, mas um alerta permanente sobre os riscos do autoritarismo. Ao transformar um antigo centro de violência estatal em local de reflexão, a sociedade reafirma seu compromisso com a democracia e com os direitos humanos.
No entanto, enquanto o passado é revisitado com o devido peso, o presente traz sinais que merecem atenção. Em Volta Redonda, a atuação de patrulhas noturnas ligadas à Secretaria de Ordem Pública, ainda que dentro da legalidade e com resultados positivos — como o recente caso de localização de um desaparecido —, desperta desconforto em parte da população.
Para quem viveu ou conhece a história, a presença ostensiva de agentes nas ruas durante a madrugada remete a práticas de vigilância que, em outros tempos, estavam associadas a regimes de exceção. Evidentemente, não se trata de uma equivalência direta, mas de um alerta simbólico: quando o controle se intensifica, é preciso redobrar a atenção sobre seus limites.
A linha entre segurança e excesso nunca foi simples. E é justamente por isso que a memória precisa dialogar com o presente. Não basta lembrar os erros do passado dentro de museus; é fundamental reconhecer, no cotidiano, qualquer sinal que possa indicar retrocessos.
Entre a preservação da história e as práticas atuais, o desafio é garantir que o aprendizado não fique restrito às paredes de um antigo quartel — mas se traduza em vigilância cidadã sobre o poder, hoje e sempre.
Foto Arquivos




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