Dos palcos à política: José de Abreu entra na disputa por uma vaga na Câmara
- Marcus Modesto
- 5 de fev.
- 2 min de leitura
A vontade não nasceu agora. Vem de longe, lá dos agitados anos de 1968, quando um jovem estudante de Direito da PUC-SP marchava pelas ruas de São Paulo contra a ditadura militar. A vida profissional acabou empurrando o projeto para a gaveta, mas, aos 80 anos, José de Abreu decidiu resgatá-lo. O ator será candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro, atendendo a um convite direto do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá.
A transição do universo artístico para o ambiente áspero da política institucional não foi automática. Antes de bater o martelo, Abreu fez o caminho clássico das consultas internas, conversando com figuras centrais do partido. Entre elas, José Dirceu, ex-ministro, amigo pessoal e companheiro de cela durante os anos mais duros do regime militar, a quem o ator costuma tratar como uma espécie de bússola política.
Superada a fase das ponderações, veio o sinal verde. Quaquá não esconde o entusiasmo com a aposta. Para ele, a presença de José de Abreu na Câmara tem peso simbólico e prático: alguém vindo da cultura, com trajetória pública consolidada, capaz de elevar o nível do debate e ampliar o alcance do discurso petista.
A candidatura, aliás, não será discreta. Abreu deve ocupar papel central no programa eleitoral do PT no estado, funcionando como principal rosto e voz da legenda nos espaços de televisão e rádio durante a campanha.
O contexto também favorece a guinada. Depois de uma carreira marcada por dezenas de novelas, muitas delas em papéis de destaque, o ator está atualmente sem vínculo contratual com a TV Globo. Livre dessas limitações, divide o tempo entre o teatro e produções para plataformas de streaming, como a Netflix, enquanto se dedica à nova empreitada política.
Nas redes sociais, José de Abreu já atua como figura politizada, embora até aqui fora da militância formal. A exposição lhe rendeu seguidores, mas também uma coleção de processos judiciais, quase todos relacionados a acusações de calúnia e difamação, movidos por adversários ideológicos, em especial nomes ligados ao bolsonarismo.
Com ironia afiada, ele costuma relativizar o assunto. “Diga-me quem te processa que direi quem tu és”, brinca, ao lembrar ações movidas por figuras como Michelle Bolsonaro e Deltan Dallagnol. Agora, com a candidatura oficializada, a frase ganha novos contornos — e o palco, definitivamente, muda de lugar.
Foto divulgação




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