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Economia deve receber impulso bilionário em 2026, mas juros altos e risco fiscal preocupam

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6 de abr.
  • 3 min de leitura

A atividade econômica brasileira deve ganhar forte impulso em 2026, ano eleitoral, com estímulos estimados em R$ 742 bilhões, segundo a Folha de S. Paulo. O volume representa alta de 139% em relação a 2025 e equivale a cerca de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com projeção da ARX Investimentos.


O montante expressivo será puxado principalmente pela expansão do crédito — com destaque para o BNDES —, além do avanço do consignado privado e do aumento da capacidade de gasto de estados e municípios. Também entram na conta o uso de fundos públicos e privados com participação da União e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.


Crédito e consumo devem acelerar a economia


A estimativa considera despesas não obrigatórias e mede estímulos adicionais à demanda, incluindo consumo das famílias e investimentos.


Além de incentivos fiscais previstos no Orçamento, o cálculo inclui medidas parafiscais e ampliação do crédito. O cenário aponta para um aquecimento relevante da economia no curto prazo, impulsionado pela maior circulação de recursos e pelo fortalecimento do consumo.


Juros elevados freiam parte do efeito


Apesar do impulso fiscal, o atual patamar da taxa básica de juros — em 14,75% ao ano — deve limitar os efeitos desse crescimento.


O crédito mais caro reduz a capacidade de investimento das empresas e pressiona o endividamento das famílias, o que pode conter uma expansão mais robusta da atividade econômica.


Esse descompasso entre política fiscal expansionista e política monetária restritiva é apontado como um dos principais desafios do cenário econômico.


Dívida pública preocupa a partir de 2027


No curto prazo, receitas extras, como royalties do petróleo, devem ajudar no cumprimento das metas fiscais em 2025, ainda que com uso de mecanismos como abatimento de precatórios.


A partir de 2026, no entanto, o quadro se torna mais delicado. Dados do Banco Central do Brasil indicam que a relação dívida/PIB, hoje em 79,2%, pode ultrapassar 83% no início de 2027.


A trajetória ascendente da dívida aumenta a pressão sobre as contas públicas e reforça a necessidade de ajustes futuros.


Ano eleitoral aumenta incerteza


A proximidade das eleições tende a intensificar o uso de medidas de estímulo econômico, ampliando o debate sobre sustentabilidade fiscal.


Com um cenário político polarizado e competitivo — apontado por pesquisas como o Datafolha — cresce a expectativa de maior ativismo econômico por parte do governo, com foco no curto prazo.


Padrão se repete em ciclos eleitorais


Estudos de economistas mostram que a expansão de gastos em anos eleitorais é recorrente no Brasil.


Levantamentos sobre gestões recentes indicam que governos costumam elevar despesas e adotar medidas para sustentar renda e consumo durante períodos de disputa política.


Entre riscos e oportunidades para investidores


O ambiente combina cautela e atratividade.


De um lado, o aumento dos gastos e da dívida gera preocupação. De outro, o Brasil mantém características que atraem capital externo, como o baixo risco geopolítico relativo e a posição de grande exportador de petróleo.


Esse perfil contribui para a entrada de dólares e ajuda a amortecer impactos de crises internacionais.


Governo defende estratégia e controle fiscal


O Ministério da Fazenda afirma que, em 2025, o impulso fiscal foi majoritariamente negativo, em linha com o aquecimento da economia e em coordenação com a política monetária.


Para 2026, a expectativa é de um impulso positivo, diante da possível desaceleração da atividade.


Segundo a pasta, as regras fiscais vigentes garantem previsibilidade e controle do crescimento das despesas, inclusive em ano eleitoral. O governo sustenta que a estabilização da dívida segue como objetivo dentro de uma estratégia de consolidação gradual.



 
 
 

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