EDITORIAL — A cidade afoga, e a política segue impermeável
- Marcus Modesto
- há 44 minutos
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Por Marcus Modesto
Barra Mansa voltou a viver cenas conhecidas — e, pior, previsíveis. Bastaram poucas horas de chuva para que ruas se transformassem em rios, bairros ficassem ilhados e o medo voltasse a fazer parte da rotina da população. Na Vila Coringa, uma mulher foi arrastada pela correnteza. No Ano Bom, Centro, Saudade e tantos outros pontos, o caos se repetiu como um roteiro já decorado.
Não se trata mais de surpresa. Trata-se de negligência.
Ano após ano, os mesmos problemas. Obras que não resolvem, promessas recicladas e uma gestão que insiste em tratar como “evento climático” aquilo que, na prática, é consequência direta da falta de planejamento. O crescimento urbano de Barra Mansa foi coberto por asfalto — muito asfalto — sem que houvesse o mínimo cuidado com a drenagem. Sem bueiros suficientes, sem galerias eficientes, sem manutenção. O resultado é simples: a água não escoa, invade casas, destrói comércios e coloca vidas em risco.
E onde estão os responsáveis?
A atual gestão, liderada por Luiz Furlani, herdou problemas, é verdade — mas também herdou a obrigação de resolvê-los. Já o ex-prefeito Rodrigo Drable, que teve anos à frente da cidade, deixou como legado uma infraestrutura incapaz de suportar chuvas que, diga-se, nem são mais exceção. E o que se vê é a continuidade de um modelo falido, onde a estética urbana parece ter mais valor do que obras estruturais que realmente fariam diferença.
Não faltaram alertas. Não faltaram episódios anteriores. Faltou ação.
Enquanto isso, a população paga o preço — literalmente. Perde móveis, carros, mercadorias. Perde a tranquilidade. E, em alguns casos, quase perde a vida.
A pergunta que precisa ser feita é direta, sem rodeios e sem desculpas:
E aí, você vai votar neles novamente?
Porque o ciclo é claro: chove, alaga, revolta, passa. Depois, tudo se repete — inclusive nas urnas.
Se nada mudar na escolha de quem governa, nada vai mudar nas ruas. E a cidade continuará afundando, não apenas na água, mas na falta de responsabilidade de quem deveria cuidar dela.




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