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Editorial : Atentado do Riocentro completa 45 anos marcado por falhas nas investigações e ausência de punições

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 30 minutos
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto


Quarenta e cinco anos depois, o atentado do Atentado do Riocentro permanece como um dos episódios mais constrangedores e reveladores da história recente do Brasil. Não apenas pelo ato em si — uma tentativa fracassada de terrorismo durante um evento no Riocentro, no Rio de Janeiro —, mas principalmente pelo que veio depois: a construção de uma farsa institucional e a consagração da impunidade.


Na noite de 30 de abril de 1981, uma bomba explodiu dentro de um carro ocupado por militares. O plano, segundo investigações posteriores, era atribuir o ataque a grupos de esquerda e justificar o endurecimento do regime. A operação falhou. A bomba explodiu antes da hora. E, com ela, explodiu também a narrativa oficial que tentava sustentar o discurso de ameaça interna.


O episódio escancarou a face mais sombria da ditadura: o uso do terror como instrumento político. Não se tratava de combater inimigos, mas de fabricá-los. O atentado do Riocentro não foi um desvio isolado — foi parte de uma lógica de poder que aceitava, e até incentivava, ações clandestinas para manter o controle.


Mas o que poderia ter sido um ponto de virada na responsabilização dos envolvidos acabou se tornando um símbolo de acobertamento. As investigações foram conduzidas de forma questionável, versões foram manipuladas e a verdade, sistematicamente abafada. A chamada “apuração” serviu mais para proteger do que para esclarecer.


Décadas se passaram, documentos vieram à tona, testemunhos reforçaram o que já era evidente — e, ainda assim, ninguém foi efetivamente punido. A sombra da Lei da Anistia continua sendo usada como escudo para evitar que crimes daquele período sejam julgados com o rigor que merecem.


O resultado é um país que convive com sua própria negação histórica. O caso Riocentro não é apenas memória: é um retrato da dificuldade brasileira em enfrentar seus próprios erros institucionais. A impunidade não ficou no passado — ela se prolonga no presente, alimentando a descrença nas instituições e enfraquecendo a democracia.


Relembrar os 45 anos do atentado não é exercício de nostalgia. É um chamado à responsabilidade. Sem verdade plena e sem justiça, episódios como esse deixam de ser apenas páginas da história e passam a ser alertas ignorados.


O Brasil ainda deve essa resposta a si mesmo.

Foto Arquivo


 
 
 

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