Editorial : Barra Mansa na beira do abismo
- Marcus Modesto
- 25 de fev.
- 2 min de leitura
Por Marcus Modesto
A gestão da Barra Mansa caminha perigosamente para um cenário de colapso administrativo e social. Os fatos recentes não são ruídos isolados — formam um retrato preocupante de desorganização, prioridades distorcidas e ausência de transparência.
A criação de 140 novos cargos comissionados levanta uma pergunta inevitável: qual a real prioridade da administração? Em vez de enxugar a máquina e fortalecer áreas essenciais, amplia-se a estrutura política enquanto serviços básicos enfrentam dificuldades.
O gasto de R$ 5 milhões com enfeites de Natal contrasta com a realidade de servidores demitidos que não receberam suas rescisões. Não se trata de condenar eventos festivos, mas de questionar o momento e a sensibilidade administrativa diante de compromissos trabalhistas pendentes.
A suspensão do curso de formação da Guarda Municipal enfraquece a segurança pública. O empréstimo de R$ 96 milhões, sem explicação clara e detalhada à população, amplia a preocupação com o endividamento futuro do município. A denúncia de R$ 13 milhões desviados na Assistência Social, seguida de decreto de calamidade financeira na própria pasta, é um escândalo que exige apuração rigorosa e respostas imediatas.
Na Saúde, a situação é crítica: funcionários sem pagamento e uma rede já sobrecarregada. Se o cenário persistir, o risco de colapso deixa de ser hipótese e passa a ser consequência previsível.
Mas diante desse quadro, há uma pergunta que precisa ser feita: onde está a Câmara Municipal?
A Câmara Municipal de Barra Mansa não pode se limitar ao papel protocolar. Cabe ao Legislativo fiscalizar, convocar secretários, exigir documentos, instaurar comissões de investigação se necessário e dar satisfação à população.
O presidente da Casa, vereador Paulo Sandro, tem responsabilidade direta na condução dessa fiscalização. O momento exige liderança firme, independência e compromisso com o interesse público — não alinhamento automático com o Executivo.
A omissão, neste contexto, não é neutralidade. É escolha.
Barra Mansa precisa de vereadores que cumpram sua função constitucional de fiscalizar e cobrar transparência. A cidade não pode assistir passivamente ao agravamento de uma crise administrativa que atinge principalmente os mais pobres.
O Legislativo precisa agir. E agir agora.
Foto M Moura




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