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EDITORIAL -  Barra Mansa no limite: dívida explode, Câmara se omite e alerta fiscal é ignorado

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 19 de jan.
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto


A evolução da dívida pública de Barra Mansa nos últimos anos não deixa espaço para relativizações, discursos políticos ou desculpas técnicas. Os números falam por si — e gritam. O município saiu de um patamar de cerca de R$ 1,3 milhão em 2014 para R$ 43,2 milhões em 2024, uma escalada que caracteriza irresponsabilidade fiscal continuada, agravada por decisões políticas sem planejamento, transparência ou controle efetivo.


As gestões de Jonas Marins e Rodrigo Drable empurraram a cidade para um ciclo perigoso de endividamento. O crescimento não foi gradual nem acompanhado de uma política clara de investimentos estruturantes capazes de justificar o rombo. Pelo contrário: os dados indicam explosões sucessivas da dívida, sem que a população veja retorno proporcional em serviços públicos, infraestrutura ou qualidade de vida.


Agora, diante desse cenário já crítico, a Câmara Municipal autoriza um novo empréstimo internacional de US$ 18 milhões, o equivalente a R$ 96,6 milhões, com o dólar a R$ 5,37. Trata-se de uma decisão grave, que projeta Barra Mansa para um patamar de endividamento sem precedentes históricos.


A pergunta que ninguém responde: onde isso vai parar?


Se a dívida já alcança R$ 43,2 milhões e a cidade assume um novo compromisso que pode ultrapassar R$ 100 milhões — sem contar juros, encargos e variação cambial — a que patamar Barra Mansa pode chegar nos próximos anos? R$ 150 milhões? R$ 200 milhões? Mais?


O mais alarmante não é apenas o valor, mas a forma como essa dívida foi autorizada:

• Sem projetos executivos apresentados

• Sem cronograma de obras

• Sem estudo de impacto financeiro detalhado

• Sem debate público

• Sem transparência real


A Câmara Municipal, que deveria exercer seu papel constitucional de fiscalização, optou pela omissão. A presidência da Casa não exigiu documentos mínimos, não cobrou explicações técnicas e não protegeu o interesse público. Ao aprovar um empréstimo dessa magnitude nas condições atuais, o Legislativo concedeu um cheque em branco ao Executivo — e transferiu a conta para o contribuinte.


Um alerta institucional


O cenário exige mais do que indignação. Exige ação. Diante da escalada da dívida, da fragilidade das justificativas e da ausência de planejamento, o Ministério Público precisa voltar seus olhos para a Câmara de Barra Mansa. Não como interferência política, mas como dever constitucional de zelar pelo patrimônio público, pela legalidade e pela responsabilidade fiscal.


Endividamento não é, por si só, crime. Mas endividamento sem planejamento, sem transparência e sem controle é um risco concreto de dano ao erário e de comprometimento do futuro da cidade.


Barra Mansa não pode continuar sendo governada no improviso, na pressa e na aposta de que “alguém paga depois”. Esse “alguém” tem nome: é a população.


E o limite, ao que tudo indica, já foi ultrapassado.

Foto Arquivo


 
 
 

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