Editorial: Calamidade financeira decretada. E a prioridade era festa?
- Marcus Modesto
- 20 de fev.
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Por Marcus Modesto
O prefeito de Barra Mansa, Luiz Furlani, assinou o Decreto nº 12.513, de 4 de fevereiro de 2026, declarando Estado de Calamidade Pública Financeira na Assistência Social do município.
O próprio texto do decreto é contundente. Ele reconhece um desfalque estimado preliminarmente em R$ 13.683.142,34 nos cofres do Fundo Municipal de Assistência Social, atingindo também o Fundo do Idoso (FMDI) e o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCRIA). Há registro de ocorrência na 90ª Delegacia de Polícia e referência a processo administrativo.
Não se trata de um ajuste contábil. Trata-se de um rombo milionário em áreas que atendem idosos, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
E aqui surge a pergunta inevitável: como um município que investe pesado em festas, eventos e exposição em redes sociais chega ao ponto de decretar calamidade financeira justamente na área mais sensível da administração pública?
Governar exige prioridade. Assistência social não é setor secundário. É política essencial, garantida como direito fundamental. Quando o próprio Executivo reconhece oficialmente uma situação de calamidade financeira, o discurso festivo perde sustentação.
A população tem o direito de saber:
• Onde estavam os mecanismos de controle?
• Como um desfalque dessa magnitude ocorreu?
• Houve falha de fiscalização?
• Quem será responsabilizado?
• E, principalmente: por que a cidade assistia a uma sequência de eventos enquanto a área social acumulava um déficit milionário?
Redes sociais não auditam contas públicas. Shows não substituem planejamento. Curtidas não equilibram orçamento.
A decretação de calamidade financeira é um ato grave. É a admissão formal de que a gestão perdeu o controle sobre um setor vital. E isso exige mais do que vídeos explicativos e notas públicas — exige transparência total, responsabilização e revisão profunda de prioridades.
Uma cidade não pode viver de palco enquanto sua assistência social entra em colapso financeiro.
Gestão pública não é performance. É responsabilidade.




Então, governo sem sensibilidade social não tem competência pra gerir uma cidade, porque cidade é feita de pessoas, que precisam múltiplos olhares sensíveis. As festas passam e os problemas que não foram olhados ficam e só aumentam de tamanho, e agora prefeito abre o jogo pra população que o colocou neste cargo.