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Editorial | Energia instável, futuro em risco: Paraty não pode normalizar o colapso do básico

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto

Paraty vive um paradoxo preocupante. Reconhecida internacionalmente por seu patrimônio histórico, cultural e ambiental, a cidade enfrenta dificuldades para garantir um serviço elementar: o fornecimento regular de energia elétrica. As quedas constantes de luz, relatadas de forma recorrente por moradores e comerciantes, deixaram de ser um incômodo eventual e passaram a configurar um problema estrutural.


Dados de órgãos reguladores e plataformas oficiais de atendimento ao consumidor indicam que o fornecimento de energia é um dos serviços com maior volume de reclamações no estado do Rio de Janeiro. Interrupções frequentes, demora no restabelecimento e instabilidade na rede impactam diretamente municípios com infraestrutura mais sensível — como é o caso de Paraty, que combina áreas urbanas históricas, zonas rurais e comunidades isoladas.


Os efeitos são concretos. Famílias relatam prejuízos com equipamentos danificados, dificuldade de manter atividades profissionais e insegurança para permanecer na cidade. No setor produtivo, os impactos atingem em cheio o comércio e o turismo, base da economia local. Hotéis, pousadas, restaurantes e serviços dependem de energia contínua para operar, garantir segurança alimentar e atender visitantes. A falha nesse serviço compromete a imagem da cidade e afasta investimentos.


Mais grave ainda é o efeito silencioso: o esvaziamento humano. Quando o básico não funciona, moradores começam a sair. Não por falta de identidade com a cidade, mas por ausência de condições mínimas de vida. Energia elétrica é essencial para saúde, educação, comunicação e trabalho. Sem ela, não há permanência possível.


O risco que se desenha é claro. Sem ação efetiva do poder público e sem cobrança firme sobre a concessionária responsável, Paraty pode caminhar para um futuro de estagnação, com imóveis vazios, população reduzida e economia fragilizada — um processo típico de cidades que não cuidaram de sua infraestrutura básica.


Preservar Paraty não é apenas manter fachadas históricas ou promover eventos turísticos. É garantir que quem vive na cidade tenha luz, segurança e dignidade. O alerta está feito. Ignorá-lo agora pode custar caro no futuro.


 
 
 

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