Editorial: O julgamento no STF e a dívida do Brasil com a verdade sobre Marielle
- Marcus Modesto
- 24 de fev.
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Por Marcus Modesto
O julgamento no Supremo Tribunal Federal relacionado ao assassinato de Marielle Franco não é apenas mais um capítulo jurídico. É um momento decisivo para a credibilidade das instituições brasileiras e para a resposta que o Estado deve à sociedade.
Desde 14 de março de 2018, quando Marielle e o motorista Anderson Gomes foram executados no centro do Rio de Janeiro, o país acompanha um caso que ultrapassou as fronteiras criminais e se tornou símbolo de violência política, impunidade e infiltração do crime organizado nas estruturas de poder.
O Supremo entra em cena em meio a desdobramentos que envolvem prerrogativas de foro e a possível participação de autoridades com mandato. Independentemente de nomes e cargos, o que está em julgamento é a capacidade do sistema de Justiça de enfrentar pressões, interesses e estruturas que, durante anos, pareceram blindadas.
Não se trata de transformar o STF em palco político, mas de exigir rigor técnico, celeridade e transparência. O Brasil já assistiu a atrasos, idas e vindas processuais e disputas de competência que alimentaram desconfiança. A sociedade quer algo simples: que os responsáveis — mandantes, executores e eventuais articuladores — sejam identificados, julgados e condenados com base em provas.
O assassinato de uma vereadora eleita democraticamente é um ataque direto ao Estado de Direito. Quando uma representante do povo é silenciada a tiros, não é apenas uma pessoa que morre; é a própria democracia que é ferida.
O STF tem agora a responsabilidade de demonstrar que ninguém está acima da lei. O julgamento precisa ser conduzido com firmeza e independência, longe de disputas ideológicas e pressões externas.
O país não pode conviver com a sensação de que crimes dessa magnitude ficam pela metade. Justiça tardia já é dolorosa. Justiça incompleta é corrosiva.
Mais do que uma decisão jurídica, o que se espera é uma resposta institucional clara: a democracia brasileira não aceita execução política, não tolera conivência e não se curva diante do poder das sombras.
Foto arquivo




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