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Editorial : Água à venda, silêncio à vista: Câmara se cala diante de uma decisão que pode marcar Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto

A proposta de privatização do SAAE de Barra Mansa não é apenas uma medida administrativa — é uma decisão que pode comprometer o futuro de Barra Mansa por décadas. E, diante de algo tão sério, o que mais assusta não é só o conteúdo da proposta, mas o comportamento de quem deveria fiscalizar, questionar e representar a população.


A Câmara Municipal, que deveria ser a voz ativa da sociedade, vem demonstrando uma postura preocupante. Em vez de promover o debate público, exigir transparência e aprofundar a análise de um tema tão sensível, o que se vê é silêncio, pressa e alinhamento. Um cenário que levanta dúvidas legítimas sobre a independência do Legislativo.


Água não é mercadoria comum. É um direito básico, essencial à vida. Entregar esse serviço à iniciativa privada sem um amplo debate, sem clareza nos números e sem garantias sólidas para a população é, no mínimo, temerário. E quando a Câmara deixa de cumprir seu papel de fiscalização, a situação se agrava.


Experiências em outras cidades mostram que a conta costuma chegar — e pesada. Tarifas mais altas, atendimento desigual e contratos difíceis de serem fiscalizados são problemas recorrentes. Ainda assim, em Barra Mansa, não se vê o nível de questionamento que o tema exige.


A população não elege vereadores para agir como carimbadores de decisões do Executivo. O papel do Legislativo é outro: é tensionar, questionar, representar o interesse coletivo. Quando isso não acontece, o afastamento entre Câmara e sociedade se torna inevitável — e perigoso.


Onde estão as audiências públicas amplas? Onde estão os estudos técnicos acessíveis à população? Onde está o debate verdadeiro?


A sociedade organizada de Barra Mansa precisa reagir. Entidades, lideranças, associações e cidadãos não podem assistir passivamente a uma decisão dessa magnitude sendo conduzida sem o devido escrutínio. O silêncio, neste momento, não é neutralidade — é conivência.


Se a privatização for, de fato, o melhor caminho, que isso seja demonstrado com transparência, dados e debate aberto. Mas, até aqui, o que se vê é um processo que avança rápido demais e uma Câmara que fala de menos quando deveria falar por todos.


Barra Mansa precisa decidir, com consciência e participação, o destino de um dos seus serviços mais essenciais. E essa decisão não pode ser tomada nos bastidores.



 
 
 

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