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Eduardo Bolsonaro exporta crise institucional ao buscar apoio contra Alexandre de Moraes nos EUA

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 13 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desembarca em Washington com uma missão incomum para um parlamentar brasileiro: convencer assessores de Donald Trump a manter e ampliar sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A iniciativa, que ele chama de “defesa da liberdade”, na prática, significa levar para o exterior disputas internas do Judiciário e do Congresso, apostando na pressão internacional para constranger uma autoridade do próprio país.


Ao lado do ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo, Eduardo pretende apresentar um dossiê sobre a suposta repercussão da aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, mesmo reconhecendo que a medida não impediu decisões como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O material também sustenta que as sanções teriam fomentado divisões no STF e incentivado a oposição no Legislativo a avançar com pautas como a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado.


O gesto, no entanto, levanta questionamentos sobre seus efeitos para a soberania nacional. Ao buscar respaldo de um governo estrangeiro para punir um ministro brasileiro, Eduardo abre espaço para que disputas políticas internas se transformem em ferramenta de ingerência externa.


No campo interno, a ofensiva não é unânime nem mesmo entre aliados. O próprio relatório a ser entregue em Washington admite que ministros como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso demonstram desconforto com alguns atos de Moraes, mas não há sinal de ruptura formal dentro da Corte. Ainda assim, a aposta de Eduardo é que o isolamento político de Moraes cresça a ponto de viabilizar seu impeachment no Senado — algo que, mesmo com 41 assinaturas de apoio, ainda está longe dos 54 votos necessários.


A movimentação ocorre num momento de tensão nas relações Brasil-EUA, com encontros diplomáticos cancelados e diálogo restrito. Nesse cenário, a ação do deputado reforça a percepção de que parte da direita brasileira aposta mais na influência estrangeira do que na construção de consensos internos para alterar decisões judiciais e avançar sua agenda política.


Mais do que um ato político, a viagem de Eduardo Bolsonaro é um teste sobre até onde vai a disposição de figuras da oposição em internacionalizar conflitos institucionais — e até que ponto isso servirá aos interesses nacionais ou apenas aos cálculos eleitorais de 2026.


 
 
 

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