Eduardo Bolsonaro mantém decisão de permanecer nos EUA apesar da pressão de Jair Bolsonaro e aliados
- Marcus Modesto
- 21 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) decidiu permanecer nos Estados Unidos, mesmo após tentativas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de convencê-lo a retornar ao Brasil. A decisão gerou preocupação entre aliados, que temem prejuízos para a oposição e para a carreira política do parlamentar, especialmente em relação a uma possível candidatura ao Senado em 2026.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Bolsonaro foi avisado da decisão do filho no último fim de semana e, em uma conversa emocional, argumentou que a ausência de Eduardo enfraqueceria o campo bolsonarista no Brasil. Apesar dos apelos do pai e de lideranças do PL, o deputado oficializou na quinta-feira (20) seu pedido de licença de 120 dias na Câmara dos Deputados, justificando o temor de ter seu passaporte apreendido e ser preso.
Decisão em meio a tensões políticas
A escolha de Eduardo Bolsonaro foi tomada no sábado (15), um dia antes do ato em defesa da anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro, realizado no Rio de Janeiro. A ausência do deputado no evento reforçou as especulações sobre um possível afastamento estratégico diante do avanço das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados próximos alertaram que sua permanência no exterior poderia ser interpretada como tentativa de fuga e afetar sua imagem pública. Ainda assim, Eduardo manteve sua posição, argumentando que sua atuação nos EUA poderia fortalecer articulações contra o STF e ampliar o apoio ao bolsonarismo internacionalmente.
Em entrevista, o deputado afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com seu pai e sua esposa, Heloísa. “Meu pai me respeita. Eu sempre serei filho dele, mas já tenho 40 anos, uma família, duas crianças. E falei: ‘Existe ou não existe a possibilidade de pegarem meu passaporte? Existe’”, declarou.
Reação do STF e futuro incerto
No mesmo dia em que Eduardo anunciou publicamente sua licença, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra a apreensão de seu passaporte, levando o ministro Alexandre de Moraes a arquivar o pedido. A rápida decisão reforçou, para aliados do deputado, a narrativa de que há perseguição política por parte do Judiciário.
A indefinição sobre o retorno de Eduardo Bolsonaro alimenta especulações sobre seu futuro político. Enquanto alguns aliados acreditam que ele reassumirá o mandato ao fim da licença, outros consideram a possibilidade de renúncia e até mesmo um pedido de asilo político nos Estados Unidos.
A saída de Eduardo da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) também surpreendeu membros do Partido Liberal, que já consideravam o cargo garantido. Após negociações e pressões do STF, o posto foi ocupado pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), em uma disputa que envolveu resistência do governo Lula e articulações da base bolsonarista.
O cenário ainda é incerto, mas a decisão de Eduardo Bolsonaro expõe as tensões no núcleo do bolsonarismo e abre novas frentes de embate entre o Legislativo e o Judiciário.




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