Eleição na Alerj sob tensão: oposição articula boicote e cenário aponta para disputa judicial
- Marcus Modesto
- há 6 minutos
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A poucas horas da votação que definirá o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o clima político é de tensão e incerteza. Partidos de oposição decidiram não participar do processo, numa estratégia que pode comprometer o quórum mínimo necessário e alterar o equilíbrio de forças dentro da Casa.
A expectativa entre parlamentares é de que cerca de 25 deputados se ausentem da sessão. Para que a eleição seja validada, é exigida a presença de ao menos 36 dos 70 deputados estaduais. A movimentação da oposição, portanto, não apenas sinaliza insatisfação, como também coloca em risco a realização do pleito.
Boicote como instrumento de pressão
A ausência coletiva foi definida após críticas ao formato de votação aberta. Deputados argumentam que esse modelo expõe votos individuais, abrindo espaço para pressões políticas e eventuais retaliações. Nos bastidores, a avaliação é de que o boicote pode enfraquecer a legitimidade do processo e reforçar questionamentos já encaminhados à Justiça.
A retirada da candidatura do deputado Vitor Junior (PDT) evidencia esse cenário. A decisão ocorreu após a confirmação do voto aberto, considerada por aliados como um fator que inviabilizaria uma disputa equilibrada.
Base governista avança com favoritismo
Enquanto a oposição se afasta, a base aliada atua para garantir a eleição de Douglas Ruas (PL), apontado como favorito. Mesmo com o possível esvaziamento da sessão, a projeção entre governistas é de que ele alcance cerca de 40 votos, número suficiente para assegurar a vitória.
Na manhã desta sexta-feira, lideranças governistas se reuniram no gabinete do presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), para alinhar estratégias. O encontro tratou tanto da condução da eleição quanto dos desdobramentos políticos após a definição do novo comando da Casa.
Cenários alternativos e riscos jurídicos
Apesar do favoritismo, aliados já discutem planos alternativos diante de possíveis entraves jurídicos envolvendo Douglas Ruas, especialmente no contexto de uma eventual sucessão no governo estadual.
Uma das hipóteses consideradas é que, após eleito, Ruas se licencie do cargo para se dedicar a uma futura campanha eleitoral. Nesse cenário, Delaroli permaneceria no comando da Alerj, mantendo a estabilidade administrativa e o controle político do Legislativo.
Judicialização à vista
A disputa, no entanto, não deve se encerrar no plenário. O PDT ingressou com ação judicial solicitando que a votação seja realizada de forma secreta. O argumento central é que o modelo atual compromete a independência dos deputados.
A iniciativa pode ser apenas o início de uma série de contestações. Parlamentares já sinalizam que, caso a eleição seja mantida nos moldes atuais, o caso será levado ao Supremo Tribunal Federal. A intenção é anular o resultado e exigir um novo pleito com regras diferentes.
No centro da controvérsia está a alegação de que o voto aberto não garante liberdade plena aos parlamentares, que poderiam sofrer pressões internas ou externas ao declarar publicamente suas escolhas.
Com isso, a eleição que deveria definir apenas o comando da Alerj ganha contornos mais amplos, envolvendo disputas políticas, questionamentos jurídicos e possíveis impactos no cenário eleitoral do estado.




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