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Em ano eleitoral, promessa muda de nome, mas continua sendo promessa em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Basta o calendário eleitoral se aproximar para que velhas promessas reapareçam com nova embalagem. Em Barra Mansa, o anúncio mais recente do governador Cláudio Castro confirma a máxima: depois de anos de discurso sobre a criação de um Batalhão da Polícia Militar, o que sai do papel — ao menos no anúncio oficial — é apenas uma Companhia Independente da PM.


Até pouco tempo atrás, autoridades estaduais e lideranças políticas locais afirmavam, sem hesitação, que o município teria um batalhão próprio, o que significaria mais efetivo, autonomia real e o fim da dependência do 28º BPM de Volta Redonda, o chamado Batalhão do Aço. A promessa foi levada a sério, inclusive com a destinação de cerca de R$ 600 mil em emendas parlamentares para a construção da unidade. O batalhão, no entanto, nunca passou da maquete política — e tudo indica que continuará assim.


O anúncio feito agora prevê a instalação da 3ª Companhia Independente da PM, que funcionará no antigo prédio do Criam, no bairro Bom Pastor, atualmente em reforma. Na prática, trata-se da reorganização da estrutura já existente da 2ª Companhia do 28º BPM, hoje sediada na Vila Nova, com mudança de endereço e status administrativo.


Mesmo com a redução evidente do projeto original, a reação das autoridades municipais foi de comemoração. O prefeito Luiz Furlani celebrou o anúncio com entusiasmo e tom messiânico, classificando a medida como a realização de um “sonho de mais de 30 anos”. Ao seu lado, comandantes da Polícia Militar e autoridades estaduais reforçaram o discurso de conquista histórica — ainda que o “sonho” tenha acordado bem menor do que o prometido.


O secretário municipal de Ordem Pública, major Daniel Abreu, também tratou o anúncio como vitória. Pré-candidato a deputado federal, ele minimizou as críticas e insistiu na tese de que a Companhia Independente teria funcionamento semelhante ao de um batalhão. Segundo ele, a diferença estaria apenas em uma estrutura “um pouco mais enxuta”, mas sem prejuízo operacional — argumento que tenta convencer de que menos é, na prática, a mesma coisa.


Abreu garantiu ainda que a nova Companhia não ficará subordinada ao 28º BPM de Volta Redonda, mas ao 5º Comando de Policiamento de Área (CPA). No entanto, admitiu que não haverá aumento imediato de efetivo, reforçando a sensação de que a mudança é mais administrativa e simbólica do que efetiva no enfrentamento da criminalidade.


O ex-prefeito Rodrigo Drable, hoje aliado do governador Cláudio Castro, foi além e classificou a Companhia como o “embrião” de um futuro batalhão. A narrativa do “embrião”, no entanto, não é nova — e tampouco traz qualquer garantia concreta de que o batalhão um dia sairá do discurso para a realidade. Embriões políticos, em ano eleitoral, costumam não sobreviver ao pós-eleição.


No fim das contas, Barra Mansa não ganha o batalhão prometido, não vê anúncio de reforço imediato de efetivo e assiste à reciclagem de uma estrutura já existente, agora vendida como conquista histórica. A pergunta que fica não é se a Companhia é importante — ela pode até ser —, mas por que o discurso precisou encolher justamente agora, depois de anos de promessas infladas.


Em ano de eleição, muda-se o nome, ajusta-se a narrativa e comemora-se o possível. O problema é que segurança pública não se resolve com placa nova na fachada nem com discurso otimista em palanque.

Foto Arquivo



 
 
 

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