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Encontro entre Moraes e presidente do BC gera versões oficiais, mas relatos apontam discussões além da Lei Magnitsky

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 23 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmaram nesta terça-feira (23) que mantiveram reuniões recentes. Oficialmente, segundo as notas divulgadas, os encontros tiveram como pauta exclusiva os impactos da aplicação da Lei Magnitsky no sistema financeiro brasileiro. As manifestações públicas, no entanto, não abordaram o caso do Banco Master, tema que vinha sendo apontado como pano de fundo das conversas.


De acordo com Moraes, as reuniões reuniram dirigentes de grandes instituições financeiras e representantes do setor bancário para discutir possíveis efeitos da legislação internacional, especialmente no funcionamento de contas bancárias, cartões de crédito e débito e na continuidade de operações financeiras. O Banco Central limitou-se a confirmar que houve encontros com o ministro para tratar do mesmo assunto.


Apesar disso, fontes ouvidas ao longo das últimas semanas relataram uma versão diferente dos bastidores. Segundo seis pessoas com conhecimento do assunto, Moraes teria procurado Galípolo em pelo menos quatro ocasiões para tratar diretamente da situação do Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central após indícios de irregularidades. Três desses contatos teriam ocorrido por telefone, além de ao menos uma reunião presencial.


Conforme os relatos, o ministro buscava informações sobre o processo de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), anunciado em março e que dependia de aval do Banco Central. Em uma das conversas, Moraes teria demonstrado simpatia pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e afirmado que o banco enfrentava resistência por avançar sobre o mercado dominado por grandes instituições. Ainda segundo as fontes, Galípolo teria informado que técnicos do BC identificaram possíveis fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master ao BRB, o que inviabilizaria a aprovação do negócio caso as irregularidades fossem confirmadas.


O episódio ganha contornos mais delicados diante da existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório Viviane Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões, para atuação junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal, Cade e Congresso Nacional.


No entanto, respostas obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que nem o Banco Central nem o Cade receberam pedidos formais, reuniões ou documentos apresentados pelo escritório em nome do Master.


Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro, no contexto das investigações sobre as supostas fraudes envolvendo a instituição financeira, permanecendo detido por 12 dias. Posteriormente, o inquérito foi encaminhado ao STF, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.


Enquanto as versões oficiais reforçam que os encontros se limitaram aos efeitos da Lei Magnitsky, os relatos de bastidores mantêm viva a controvérsia sobre a real extensão das conversas entre o ministro do Supremo e o comando do Banco Central.



 
 
 

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