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Enquanto Furlani promete espetáculo na Ponte dos Arcos, Barra Mansa convive com medo e violência

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 5 dias
3 min de leitura

Marcus Modesto


Enquanto o prefeito Luiz Furlani anuncia nas redes sociais uma Ponte dos Arcos “toda ladrilhada”, com iluminação moderna e até espetáculo noturno, a realidade vivida por muitos barra-mansenses está muito distante do cenário colorido vendido pela propaganda oficial.


A Prefeitura anunciou que pretende revitalizar a Ponte Ataulfo Pinto dos Reis, com pastilhas de vidro, arcos azuis, colunas brancas, postes modernos, canhões de luz e fitas de LED. A previsão é de que as obras comecem em 2027, depois da conclusão da licitação. O anúncio oficial, porém, não informa quanto a intervenção vai custar aos cofres públicos.


E é justamente aí que começa a indignação.


Porque, enquanto o prefeito fala em espetáculo, a população quer saber onde estão as prioridades.


A violência não é uma abstração. Ela tem nomes, datas, bairros e famílias.


Em 5 de janeiro, uma mulher de 38 anos foi encontrada morta com marcas de tiros na Vila Maria.


Em 16 de fevereiro, um homem foi assassinado a tiros na Vila Coringa.


Em 4 de março, um homem de 53 anos foi morto a tiros dentro de um bar no bairro Nova Esperança. O caso foi registrado oficialmente como homicídio doloso.


Onze dias depois, em 15 de março, um homem de 46 anos foi assassinado a tiros na região de Antônio Rocha. Segundo a investigação relatada na imprensa local, dois suspeitos chegaram de motocicleta, entraram na propriedade e efetuaram os disparos.


Em 9 de junho, um jovem de 23 anos foi encontrado morto a tiros dentro de uma residência no bairro Piteiras. O registro também foi feito como homicídio doloso.


E a violência continuou aparecendo no noticiário local.


Em 20 de setembro, um homem foi encontrado morto dentro de um carro incendiado na Vila Coringa. A perícia encontrou marcas de tiros e seis estojos de munição calibre 9 milímetros. A ocorrência foi registrada como homicídio doloso.


Poucos dias depois, em 24 de setembro, outro jovem, de 24 anos, foi morto a tiros dentro de uma residência na Vila Elmira. Também foram encontrados estojos de munição calibre 9 milímetros no local.


Isso não é propaganda.


Isso é a realidade.


E os próprios números oficiais mostram que o problema não pode ser escondido atrás de postagem em rede social. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, Barra Mansa registrou 22 homicídios entre janeiro e julho de 2026. O número representa uma redução de 33,3% em relação aos 33 registrados no mesmo período de 2025 — uma queda que precisa ser reconhecida, mas que está longe de significar que a questão da segurança deixou de ser uma preocupação para a população.


O barra-mansense não vive dentro de uma publicação de Instagram.


Vive numa cidade onde assassinatos continuam sendo registrados, onde famílias enterram seus parentes e onde moradores relatam medo de circular por determinados bairros.


Por isso, quando o prefeito anuncia uma ponte iluminada como se fosse uma grande transformação da cidade, é inevitável perguntar: transformação para quem?


Qual é o valor dessa obra?


Quanto será gasto com a iluminação?


Quanto custará a manutenção?


Existe dinheiro reservado?


Qual será o custo dos futuros espetáculos anunciados?


Essas informações precisam ser apresentadas com clareza antes de qualquer comemoração.


Ninguém é contra cuidar da Ponte dos Arcos. O patrimônio histórico merece conservação. A cidade precisa de espaços públicos bem cuidados.


Mas uma prefeitura precisa saber distinguir prioridade de maquiagem urbana.


Barra Mansa tem problemas de saúde, transporte, educação, infraestrutura e segurança que exigem respostas concretas. A própria Prefeitura anuncia simultaneamente obras de abastecimento de água, manutenção urbana e outras intervenções — ou seja, existe uma enorme lista de demandas básicas espalhadas pelo município.


O que não dá é vender cada anúncio como se a cidade tivesse resolvido seus problemas.


Uma ponte bonita não reduz homicídio.


Fita de LED não coloca médico onde falta atendimento.


Pastilha de vidro não melhora o transporte coletivo.


Canhão de luz não combate o crime.


E espetáculo noturno não substitui política pública.


Barra Mansa precisa de governo, não de cenografia.


Enquanto Furlani prepara a Ponte dos Arcos para virar cenário de fotografias e shows de luzes, a população continua querendo saber quando terá uma cidade mais segura, uma saúde que funcione e serviços públicos capazes de responder aos problemas do cotidiano.


Porque, para quem está dentro da realidade de Barra Mansa, não existe filtro de rede social capaz de esconder o que acontece nas ruas.


A ponte pode até ganhar luz. Mas a população quer enxergar as prioridades da Prefeitura.

Foto Reprodução



 
 
 

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