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Entre a capa e o conteúdo: marketing educacional tenta esconder velhos problemas na rede pública

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 4 dias
  • 1 min de leitura

A empolgação com o novo kit escolar da Rede Municipal de Educação, anunciada com entusiasmo nas redes sociais, chama atenção menos pelo conteúdo pedagógico e mais pelo apelo estético. A “capa bonita”, exaltada como sucesso absoluto, virou protagonista do discurso oficial, com direito a elogios, pedidos de adultos e até disponibilização da arte para uso pessoal.


O problema é que, enquanto a administração celebra o design dos cadernos, pouco se fala sobre aquilo que realmente define a qualidade da educação: estrutura das escolas, valorização dos profissionais, material didático adequado e condições reais de aprendizagem. Transformar um item básico do cotidiano escolar em peça de marketing levanta dúvidas sobre prioridades.


A iniciativa de liberar a arte da capa pode até soar simpática, mas reforça a sensação de que a imagem tem ocupado mais espaço que o debate sério sobre o ensino. Em um cenário onde muitas unidades ainda enfrentam salas superlotadas, carência de recursos e desafios pedagógicos históricos, o foco excessivo na estética parece deslocado.


Cadernos bem apresentados são bem-vindos, mas não educam sozinhos. A educação pública não pode ser reduzida a uma capa bonita para redes sociais. Sem investimentos consistentes, planejamento e transparência, o risco é transformar o kit escolar em vitrine, enquanto os problemas estruturais seguem, página após página, sem solução.

Foto Reprodução


 
 
 

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