Estacionamento rotativo retorna à Rua Dr. Mário Ramos, mas solução revela falta de planejamento urbano em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 24 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O retorno do estacionamento rotativo à Rua Doutor Mário Ramos, no Centro de Barra Mansa, foi anunciado com entusiasmo pela Prefeitura como uma medida de valorização do comércio local. No entanto, por trás da tinta nova no asfalto e da sinalização recém-instalada, o que se vê é mais um remendo em um sistema de mobilidade urbana desorganizado e carente de soluções estruturais.
A rua, que é uma das principais portas de entrada da cidade para quem chega pela Rodovia Presidente Dutra, teve o estacionamento proibido há mais de três anos, depois do rompimento de uma rede de águas pluviais. Desde então, a via passou a funcionar em mão dupla — uma adaptação emergencial que, agora, aparentemente, foi deixada de lado sem que qualquer reestruturação ampla fosse apresentada.
Remendo urbano com maquiagem de planejamento
Segundo a Secretaria de Ordem Pública, cerca de 20 vagas foram liberadas para veículos de passeio e motocicletas, no modelo rotativo com limite de até duas horas por veículo. A medida também prevê áreas de carga e descarga para os comerciantes, o que, à primeira vista, parece positivo. Mas a pergunta que fica é: a cidade precisa de mais vagas ou de uma política pública séria de mobilidade e transporte coletivo?
O secretário Daniel Abreu afirma que a implantação foi resultado de um estudo técnico e atende a pedidos de lojistas e moradores. No entanto, não foram divulgados os critérios desse estudo, tampouco houve apresentação de impacto no trânsito, na segurança viária ou no fluxo de pedestres — especialmente em uma via estreita, com comércio intenso e circulação de estudantes.
O que está em jogo não são apenas vagas
Para além da questão do estacionamento, a medida escancara a falta de um plano diretor funcional em Barra Mansa. A cidade não apresenta uma política integrada de mobilidade, sequer discute soluções como faixas exclusivas para ônibus, ciclovias seguras ou incentivo ao transporte público. Em vez disso, aposta repetidamente em soluções pontuais que respondem mais à pressão de setores específicos do que a um projeto de cidade.
É compreensível que comerciantes locais queiram facilitar o acesso de seus clientes. Mas essa lógica — a de que mais estacionamento significa mais vendas — é ultrapassada. Em diversas cidades brasileiras e do mundo, estudos já mostraram que ruas mais acessíveis a pé, com calçadas amplas, arborização e segurança viária, geram mais movimento do que vias congestionadas por carros parados.
Falta transparência e debate público
A reativação do estacionamento na Mário Ramos poderia — e deveria — ter sido feita com mais transparência e participação da população. Onde está a audiência pública? Onde estão os dados? Qual é o impacto sobre o transporte coletivo, que já enfrenta desafios imensos na cidade?
O retorno do rotativo pode até agradar a alguns lojistas, mas não é, de forma alguma, uma vitória do planejamento urbano. É mais uma ação isolada que revela a incapacidade do poder público municipal de pensar Barra Mansa de forma integrada, sustentável e voltada para o futuro.
Enquanto isso, a cidade segue apostando em remendos — pintados de azul.
Foto Felipe Vieira




Comentários