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Estudo aponta que vacina brasileira contra dengue mantém proteção por pelo menos cinco anos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 6 de mar.
  • 2 min de leitura

Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan indica que a vacina brasileira contra a dengue continua eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação. Os resultados reforçam o potencial do imunizante Butantan-DV, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro do ano passado.


A vacina já começou a ser aplicada em profissionais de saúde em diferentes regiões do país. Durante o período de acompanhamento do estudo, nenhum dos participantes vacinados desenvolveu dengue grave ou precisou de hospitalização em decorrência da doença. Com isso, a eficácia contra formas severas da infecção ou casos com sinais de alerta alcançou 80,5%.


Dose única é diferencial


A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, destaca que os resultados são relevantes não apenas pela eficácia comprovada, mas também pela praticidade do esquema vacinal. O imunizante é o primeiro do mundo contra a dengue aplicado em dose única.


Segundo ela, vacinas que exigem mais de uma aplicação enfrentam maior risco de abandono do esquema vacinal.


“A demonstração de que uma única dose consegue manter uma proteção elevada é muito importante. Mesmo assim, continuaremos acompanhando os dados para avaliar se será necessário algum reforço após 10 ou 20 anos”, explicou.


Diferenças entre faixas etárias


O estudo mostrou que a eficácia geral da vacina foi de cerca de 65%. Entre pessoas que já tiveram dengue antes da imunização, a proteção foi maior, chegando a 77,1%.


Os dados também apontaram variações conforme a idade. A proteção foi mais elevada entre adolescentes e adultos do que entre crianças. Por esse motivo, a Anvisa autorizou o uso da Butantan-DV apenas para pessoas entre 12 e 59 anos, embora os testes clínicos tenham incluído crianças a partir de 2 anos.


Fernanda Boulos afirmou que novos estudos estão sendo planejados em parceria com a agência reguladora para ampliar o conhecimento sobre o comportamento da vacina em crianças.


Pesquisas com idosos


O Instituto Butantan também conduz estudos específicos com idosos. A intenção é verificar se o sistema imunológico dessa faixa etária responde à vacina com a mesma eficiência observada em adultos mais jovens.


O acompanhamento dos participantes deve durar cerca de um ano. Em seguida, os dados serão comparados com os resultados já obtidos e encaminhados à Anvisa, o que pode abrir caminho para ampliar o público-alvo da vacinação.


O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, avalia que a inclusão de idosos seria estratégica, já que a maior taxa de mortalidade por dengue ocorre justamente nessa faixa etária.


Segurança e produção nacional


Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine. A pesquisa acompanhou mais de 16 mil voluntários, sendo cerca de 10 mil vacinados e quase 6 mil integrantes do grupo que recebeu placebo para comparação.


Segundo os pesquisadores, o imunizante apresentou boa tolerabilidade e não foram identificados problemas relevantes de segurança no acompanhamento de longo prazo.


Além de representar um avanço científico nacional, a vacina também é considerada estratégica para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Imunizações.


A prioridade inicial do Instituto Butantan será garantir o abastecimento da rede pública brasileira. Após atender a demanda interna, a instituição avalia a possibilidade de exportar o imunizante para outros países, especialmente na América Latina, onde a dengue também provoca surtos frequentes. 🦟

Com informações Agência Brasil

Foto Divulgação


 
 
 

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