EUA querem energia de Itaipu para inteligência artificial: Brasil vira quintal das big techs
- Marcus Modesto
- 20 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto o Brasil discute com o Paraguai quem fica com a “sobra” da energia de Itaipu, os Estados Unidos já estão de olho nesse excedente para turbinar seus projetos de inteligência artificial. A ideia foi vocalizada sem meias-palavras pelo senador Marco Rubio, em maio: Washington quer comprar a energia paraguaia para alimentar instalações de IA. O recado é claro — e o plano, avançado.
Rubio não está falando por falar. A demanda energética da IA explodiu e virou gargalo até para potências como os EUA, que voltaram a reativar usinas a carvão diante do consumo crescente. Só que carvão é feio, sujo e impopular. Melhor então buscar energia limpa — e mais barata — em países como o Brasil.
E é isso que está acontecendo. O Brasil, com seu potencial hidrelétrico e eólico, virou o alvo perfeito das big techs. Não pela capacidade tecnológica, nem pela mão de obra. Mas pela energia. Só isso. Um único data center no país pode consumir o equivalente ao gasto residencial de 2,2 milhões de brasileiros. E, ainda assim, as empresas chegam aqui com isenções fiscais, sigilo absoluto nos contratos e impacto ambiental mascarado de “inovação”.
Acordos são firmados longe da população e das instituições de controle. Comunidades não são ouvidas. E o governo — seja federal ou estadual — se ajoelha na frente das big techs, celebrando a chegada de projetos que beneficiam mais o Vale do Silício do que o Vale do São Francisco.
A reformulação do tratado de Itaipu, que entra em vigor a partir de 2027, vai liberar o Paraguai para vender sua energia no mercado livre — e as big techs já estão na fila. A América Latina virou o novo front da disputa energética digital. E o Brasil, mais uma vez, parece pronto para ceder.
Não há contrapartida, não há debate público, não há soberania energética. Há apenas o velho entreguismo disfarçado de futuro.
Se nada mudar, seremos apenas fornecedores de energia limpa para data centers estrangeiros, pagando caro para assistir de longe à revolução tecnológica — enquanto eles crescem e nós ficamos na conta de luz.




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