Evento do Previbam expõe contraste entre discurso e realidade: fundo previdenciário de Barra Mansa acumula dívidas e incertezas
- Marcus Modesto
- 28 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto o Previbam (Fundo de Previdência Social de Barra Mansa) promove eventos para orientar gestores e servidores sobre aposentadoria e pensão, a realidade financeira do instituto acende um alerta: o fundo enfrenta uma situação delicada, marcada por dívidas milionárias e pelo risco crescente de desequilíbrio atuarial.
Nos bastidores do workshop realizado nesta segunda-feira (28), no Parque da Saudade, pairava uma verdade incômoda: o Previbam vem sendo sufocado por anos de falta de repasses integrais da Prefeitura e de má gestão dos seus ativos. Segundo dados apurados em auditorias recentes e apontamentos de órgãos de controle, a dívida do município com o fundo ultrapassa a casa dos R$ 300 milhões — um valor que compromete o futuro pagamento de aposentadorias e pensões.
Apesar do discurso oficial durante o evento, exaltando a importância da capacitação e da integração entre gestores, conselheiros e servidores, o sistema previdenciário municipal funciona hoje sob forte pressão. A arrecadação corrente não é suficiente para cobrir as despesas previdenciárias, obrigando o Previbam a depender de parcelamentos e acordos frágeis, que nem sempre são cumpridos pela Prefeitura de Barra Mansa.
A falta de investimentos rentáveis e a ausência de políticas de recuperação financeira agravaram ainda mais o quadro. Muitos dos imóveis e ativos financeiros do fundo estão depreciados ou geram retorno insuficiente para equilibrar as contas, enquanto o número de aposentados e pensionistas só aumenta.
Especialistas do setor alertam que eventos pontuais, como o workshop desta semana, são positivos para a formação técnica dos servidores, mas incapazes de enfrentar o problema estrutural: a necessidade de uma reforma previdenciária local, combinada a uma gestão séria e transparente dos recursos. Sem medidas duras e impopulares, como o aumento da contribuição patronal e dos servidores ativos, e sem o pagamento efetivo das dívidas pela Prefeitura, o Previbam caminha para um colapso financeiro nos próximos anos.
A crise previdenciária de Barra Mansa reflete um problema nacional, mas assume contornos mais dramáticos em municípios onde os fundos de previdência foram usados historicamente como instrumentos políticos, com pouca preocupação com a sustentabilidade a longo prazo.
Enquanto isso, milhares de servidores ativos e aposentados vivem a incerteza sobre o pagamento de seus benefícios futuros — uma ameaça silenciosa que nenhum evento de formação ou discurso otimista conseguirá disfarçar.
Foto Chico Assis




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