Ex-primeira-dama do Peru recebe asilo do Brasil e desembarca em Brasília
- Marcus Modesto
- 16 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia Alarcón, chegou ao Brasil nesta quarta-feira (16) após receber asilo diplomático do governo brasileiro. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Peru e divulgada pelo g1. Nadine desembarcou por volta das 12h na Base Aérea de Brasília, acompanhada do filho mais novo, Samin Mallko, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB).
O pedido de asilo foi feito por Nadine à Embaixada do Brasil em Lima, após a Justiça peruana expedir uma ordem de prisão contra ela. A concessão da proteção diplomática teve como base a Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, da qual Brasil e Peru são signatários. O governo peruano emitiu salvo-condutos para garantir a saída segura de mãe e filho, como prevê o acordo internacional.
Heredia e seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foram condenados recentemente a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, em meio ao escândalo de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht — atual Novonor — e repasses do governo venezuelano de Hugo Chávez. Segundo as investigações, Humala teria recebido US$ 3 milhões da empreiteira e outros US$ 200 mil de Caracas para financiar suas campanhas eleitorais de 2006 e 2011.
Além do casal, o irmão de Nadine, Ilán Heredia, também foi condenado, com pena de 12 anos de prisão. Humala foi detido imediatamente após a sentença, enquanto Nadine optou por não comparecer à audiência e buscou refúgio diplomático no Brasil.
A defesa dos acusados critica o processo judicial, afirmando que houve uso político das investigações, com métodos semelhantes aos empregados na Operação Lava Jato no Brasil. “Delegações peruanas estiveram no Brasil para demonstrar as semelhanças, e constatamos que os procedimentos foram replicados com os mesmos vícios de origem”, declarou um dos advogados do ex-presidente.
O Ministério das Relações Exteriores do Peru afirmou que o Brasil solicitou a saída dos asilados com base nos artigos V e XII da Convenção de 1954 e que todas as garantias legais foram asseguradas para a execução da medida.
Humala é o primeiro ex-presidente do Peru a ser condenado no caso Odebrecht. O escândalo também atingiu outros ex-mandatários do país: Alan García cometeu suicídio em 2019 ao ser alvo de mandado de prisão; Alejandro Toledo foi condenado a 20 anos de reclusão; Pedro Pablo Kuczynski cumpre prisão domiciliar; e Keiko Fujimori, adversária de Humala nas eleições de 2011, chegou a ser presa preventivamente, mas teve a medida revogada.
Em entrevista à agência EFE em fevereiro deste ano, Humala negou ter recebido propina e insinuou que os valores possam ter sido desviados por Jorge Barata, ex-representante da Odebrecht no Peru. “Não acredito que Marcelo Odebrecht tenha ordenado o envio direto de dinheiro à minha campanha. E, se isso aconteceu, Barata se apropriou dos recursos”, afirmou.
Agora em solo brasileiro, Nadine Heredia deve seguir com trâmites diplomáticos em Brasília, mas, segundo sua defesa, a intenção é se estabelecer em São Paulo.




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