Execução na Pavuna: câmeras corporais desmontam versão da PM e indicam ação premeditada
- Marcus Modesto
- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Imagens inéditas exibidas pelo programa Fantástico revelam que policiais militares monitoraram o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira por mais de uma hora antes de ele ser morto a tiros na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Os registros das câmeras corporais mostram que a vítima foi seguida desde a madrugada. Em determinado momento, um dos agentes avisa: “Tá descendo o Russo agora!”, sinalizando a aproximação do empresário ao ponto onde ocorreria o ataque.
Pouco depois, um policial avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil. As investigações apontam que não havia blitz, bloqueio ou qualquer ordem de parada na via.
56Sobreviventes e desespero após os tiros
Daniel não estava sozinho no veículo. Três pessoas o acompanhavam e sobreviveram. As imagens registram o desespero logo após os disparos: um dos ocupantes grita por explicações, enquanto outro relata que o empresário foi atingido no rosto.
Moradores também se aproximam e questionam a ação policial, aumentando a tensão no local.
Versão oficial entra em colapso
Após o crime, o policial responsável alegou que o veículo teria avançado contra a equipe durante uma abordagem. No entanto, as imagens contradizem essa versão.
Os vídeos mostram ainda o mesmo agente orientando colegas sobre como a ocorrência deveria ser registrada, mencionando termos como “troca de tiro” e “legítima defesa”. A mesma narrativa foi repetida em ligações telefônicas e posteriormente na delegacia.
Monitoramento e emboscada
Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os agentes começaram a acompanhar Daniel às 1h53. Os disparos ocorreram apenas às 3h06. Durante esse intervalo, informações sobre os deslocamentos da vítima eram repassadas por um olheiro.
A investigação aponta que os policiais montaram uma emboscada. Um dos agentes se posicionou previamente na rua por onde o empresário passaria. Quando o veículo se aproximou, ele avançou a pé e abriu fogo.
As gravações revelam ainda sinais de impaciência entre os policiais durante a espera, com comentários sobre a demora e até sugestões do uso de drone para facilitar a ação.
Conduta fora dos protocolos
A Corregedoria destacou que não houve qualquer protocolo formal na operação. A conduta dos agentes foge dos padrões estabelecidos para abordagens e uso progressivo da força.
Daniel, de 29 anos, era casado, pai de uma criança e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu.
Justiça e desdobramentos
A viúva cobra responsabilização e afirma esperar que o caso não seja encoberto. Os dois policiais envolvidos foram presos no mesmo dia por homicídio doloso.
O governo do estado informou que irá indenizar a família. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro segue investigando a motivação do crime.
As imagens reforçam a suspeita de execução e ampliam os questionamentos sobre a atuação policial, em um caso que pode se tornar emblemático no debate sobre abuso de autoridade no estado.
Foto reprodução




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