Expo Girolando 2026: Feira Agropecuária ou Palanque Político em Barra Mansa?
- Marcus Modesto
- 8 de mai.
- 2 min de leitura
Por Marcus Modesto
A abertura da Expo Girolando 2026, realizada nesta quinta-feira (7), no Parque da Cidade, em Barra Mansa, deveria ter como foco principal o fortalecimento da pecuária leiteira e o incentivo ao produtor rural. No entanto, o que se viu foi um verdadeiro desfile de autoridades, discursos políticos e promoção pessoal em um ano eleitoral que exige ainda mais cautela das instituições públicas.
A cerimônia reuniu o prefeito Luiz Furlani, a vice-prefeita Luciana Alves, o ex-prefeito Rodrigo Drable, deputados, secretários e outras lideranças políticas da região. O espaço que deveria destacar o homem do campo acabou dominado por falas institucionais carregadas de tom eleitoral.
Evento técnico ou vitrine eleitoral?
A presença maciça de agentes políticos chamou atenção não apenas pela quantidade, mas pelo formato da solenidade. Discursos exaltando gestões passadas, anúncios de investimentos e referências a feitos administrativos transformaram a arena da Expo Girolando em um ambiente muito mais próximo de um palanque do que de uma feira técnica agropecuária.
O ex-prefeito Rodrigo Drable, ao destacar que o projeto da Expo teve início em sua gestão, reforçou uma narrativa política que, para muitos presentes, ultrapassou o simples ato de prestação de contas. Em ano pré-eleitoral, esse tipo de exposição pública naturalmente levanta questionamentos sobre promoção pessoal antecipada.
Enquanto isso, produtores rurais — verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento do setor leiteiro — assistiam da plateia ao protagonismo das autoridades.
Ministério Público precisa acompanhar
A situação levanta uma pergunta inevitável nos bastidores políticos da cidade: haverá fiscalização dos órgãos de controle?
A legislação eleitoral brasileira estabelece limites claros para utilização da máquina pública e de eventos institucionais como instrumentos de promoção política. Quando um evento recebe estrutura pública, apoio institucional e ampla divulgação oficial, a linha entre comunicação administrativa e propaganda antecipada passa a exigir atenção rigorosa do Ministério Público Eleitoral.
Não se trata de atacar a importância da Expo Girolando, que possui relevância econômica e fortalece um setor fundamental para a região. O problema está na instrumentalização política de um evento que deveria priorizar o produtor rural e o desenvolvimento técnico do agronegócio.
O produtor ficou em segundo plano
A sensação deixada pela abertura da feira é a de que a política ocupou o espaço que deveria ser do campo. A arena virou cenário de fotos oficiais, cumprimentos estratégicos e discursos cuidadosamente preparados para ecoar além da porteira.
Em vez de debates técnicos sobre genética, produtividade, crédito rural e fortalecimento da agricultura familiar, o foco acabou concentrado na exibição pública de lideranças políticas locais e regionais.
A população tem o direito de questionar:
• O evento foi pensado para fortalecer o agronegócio ou fortalecer imagens políticas?
• O espaço público está sendo utilizado com equilíbrio institucional?
• Haveria o mesmo tratamento e espaço para grupos políticos de oposição?
• Os discursos mantiveram caráter técnico ou ultrapassaram os limites da promoção pessoal?
Transparência é obrigação
Em tempos de desconfiança crescente na política, transparência não é favor — é obrigação. Eventos públicos precisam servir ao interesse coletivo, e não funcionar como passarela eleitoral antecipada financiada indiretamente pela estrutura pública.
A Expo Girolando tem importância para Barra Mansa e para o setor agropecuário nacional. Mas a grande dúvida que permanece após a cerimônia de abertura é simples:
A feira foi feita para o produtor rural ou para os políticos aparecerem?
Foto Yuri Melo




Comentários