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Expo Girolando 2026: vitrine do agro ou palco de autopromoção?

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Entre os dias 7 e 9 de maio, o Parque da Cidade, em Barra Mansa, será novamente ocupado pela Expo Girolando 2026. A promessa é grandiosa: cerca de 250 animais vindos de diferentes estados e a reafirmação do município como referência nacional da raça. No discurso oficial, tudo é grandioso — números, títulos, protagonismo.


A Secretaria de Desenvolvimento Rural apresenta o evento como ambiente estratégico para negócios, tecnologia e intercâmbio. De fato, a Prefeitura de Barra Mansa aposta na feira como símbolo da força do agronegócio local. Mas, em meio à retórica otimista, faltam respostas mais concretas: qual o impacto financeiro real para o município? Quanto será investido com recursos públicos? E qual o retorno direto para o pequeno produtor rural da região?


O secretário Bruno Meirelles destaca que a cidade se consolidou como Centro Tecnológico do Girolando e lembra que o agronegócio representa cerca de 15% do PIB. O dado é relevante — mas genérico. Não especifica quanto desse percentual é, de fato, revertido em melhoria de infraestrutura rural, assistência técnica permanente ou políticas públicas estruturantes.


É inegável a importância da raça Girolando para o país. Oficializada em 1996 e resultado do cruzamento entre Gir e Holandesa, ela responde por aproximadamente 80% do leite produzido no Brasil. Também é fato que exemplares de alto valor genético colocam Barra Mansa em evidência, como a premiada vaca Fazenda Solomon Carfanaum, campeã na Expo Girolando e na Megaleite.


Mas a pergunta que fica é: a Expo fortalece a base produtiva ou apenas celebra a elite genética dos grandes criatórios? Enquanto os holofotes se voltam aos animais campeões e aos discursos oficiais, muitos pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades com custo de insumos, acesso a crédito e manutenção das estradas vicinais.


Barra Mansa pode, sim, ocupar posição de destaque no calendário nacional da raça. Contudo, mais importante do que sediar uma grande exposição é garantir que os benefícios ultrapassem o palco principal e cheguem à porteira de quem produz no dia a dia.


Evento grandioso se mede não apenas pelo número de animais em pista, mas pelo impacto concreto na economia local. O resto é marketing rural embalado em números impressionantes.

Foto Divulgação


 
 
 

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