Falta de banheiros vira vexame na FLIP 2025 e escancara descaso com o público
- Marcus Modesto
- 3 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Paraty vive, mais uma vez, o auge de seu calendário cultural com a realização da FLIP – Festa Literária Internacional. Mas entre mesas de debates e atrações culturais, o que se vê são filas vergonhosas para um item básico e indispensável: o banheiro.
A estrutura montada pela organização do evento simplesmente não dá conta do público. Apenas dois contêineres de banheiros foram disponibilizados oficialmente, o que é absolutamente insuficiente para o volume de visitantes que circula pela cidade neste período. O resultado? Filas quilométricas, tempo médio de espera de 20 a 30 minutos e uma verdadeira corrida contra o relógio para quem tenta conciliar a maratona literária com as necessidades fisiológicas.
Pior: a prefeitura de Paraty não disponibilizou nenhum banheiro químico complementar, como seria de se esperar em um evento desse porte. Um erro de planejamento básico. O que parece pequeno — uma fila para o banheiro — vira um transtorno enorme quando somado à programação apertada da FLIP, com debates acontecendo em diferentes locais, em sequência, e com atraso zero.
A situação se agrava com o comportamento dos bares e restaurantes da cidade. Muitos estabelecimentos simplesmente interditaram os banheiros para não-clientes, o que seria compreensível, não fosse o fato de que diversos deles também não estão permitindo o uso dos sanitários nem mesmo para quem consome. A desculpa? “Banheiro interditado.” Coincidência demais.
Faturar, todo mundo quer. Vender cerveja, caipirinha e comida com preço de evento internacional, também. Mas oferecer banheiro ao cliente, ninguém quer. E a pergunta inevitável: onde está a vigilância sanitária? Restaurantes e bares que se negam a oferecer estrutura mínima aos clientes deveriam ser multados e, se necessário, fechados. Não é aceitável que comerciantes aproveitem o boom de um evento turístico e cultural como a FLIP sem oferecer as mínimas condições de higiene e conforto.
A FLIP é uma vitrine internacional. Mas o que os visitantes levam na memória é a fila humilhante do banheiro, o improviso, o despreparo. O problema não é novo — e justamente por isso é ainda mais inaceitável. A cada ano, repete-se o mesmo erro, como se o público merecesse passar por esse tipo de descaso.
Cultura e literatura não combinam com abandono. Se Paraty quer seguir como palco da FLIP, precisa, no mínimo, respeitar quem a frequenta.
Foto reprodução




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