Falta de água tratada expõe milhares de moradores de Paraty a riscos e pressiona sistema de saúde
- Marcus Modesto
- 15 de jul. de 2025
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Marcus Modesto
Mais de 33% da população de Paraty (RJ) vive sem acesso à água tratada, de acordo com os dados mais recentes do Painel Saneamento Brasil, baseados no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2023. O número representa um contingente significativo em um município com 45.703 habitantes — ou seja, aproximadamente 15 mil pessoas estão em situação de vulnerabilidade extrema em pleno século XXI.
A situação é ainda mais grave quando associada aos impactos diretos na saúde pública. No mesmo ano, o município registrou 63 internações por doenças de veiculação hídrica — enfermidades transmitidas pelo consumo de água contaminada ou pela falta de higiene, como diarreia, hepatite A e febre tifóide. Destas internações, 13 ocorreram em crianças entre 0 e 4 anos, e outras 9 entre 5 e 14 anos. Os dados são do DATASUS, sistema oficial do Ministério da Saúde.
O custo dessas internações aos cofres públicos somou R$ 26.446,21 em 2023. Apesar de parecer um valor modesto à primeira vista, o montante representa uma consequência direta da ausência de políticas de saneamento eficazes. Recursos que poderiam ser aplicados em educação, prevenção e infraestrutura básica acabam sendo desviados para tratar doenças que poderiam ser evitadas com acesso digno à água e esgoto.
Além das internações, a cidade ainda enfrenta outro paradoxo: as perdas na distribuição de água chegam a 35,1%, segundo o SNIS. Isso significa que mais de um terço da água captada e tratada não chega aos consumidores, se perdendo em vazamentos, falhas técnicas ou furtos. Em um município onde parte da população sequer é atendida, esse desperdício é inaceitável.
Paraty tem sido citada entre os municípios da região que mais investiram em saneamento nos últimos anos. Só em 2022, os investimentos superaram R$ 19 milhões, já corrigidos para os valores de 2024. No entanto, os efeitos desses recursos ainda não se traduziram em melhoria real para a maioria da população.
A precariedade no abastecimento de água, associada ao impacto direto na saúde e à pressão sobre o sistema público, evidencia que o saneamento básico continua sendo uma das maiores dívidas sociais do país. Em Paraty, essa dívida pesa especialmente sobre os ombros das crianças e dos mais pobres.




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